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Autonomia do BC geraria R$ 1 tri ao Governo, diz Galípolo

Galípolo rebate riscos fiscais da PEC com dados históricos: BC transferiu R$ 1 tri líquido ao Tesouro em 18 anos. CCJ do Senado vota amanhã.

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· 3 min

Atualizado em

Crédito: Raphael Ribeiro/BC

O Banco Central repassou R$ 2,5 trilhões ao Tesouro e recebeu R$ 1,5 trilhão desde 2008, R$ 1 trilhão a mais em favor do governo. Na coletiva do Relatório de Estabilidade Financeira desta segunda-feira (25), Gabriel Galípolo usou o dado para rebater preocupações fiscais da equipe econômica com a PEC da autonomia financeira do BC, com votação na CCJ do Senado prevista para amanhã.

BC e Tesouro: fluxos históricos (2008-2025)

Fluxo Volume acumulado
BC transferiu ao Tesouro R$ 2,5 trilhões
Tesouro transferiu ao BC R$ 1,5 trilhão
Saldo líquido (favorável ao governo) R$ 1 trilhão
Transferências 2024-2025 R$ 160 bilhões
Transferência extraordinária na pandemia (CMN) R$ 325 bilhões*

*Em valores históricos. Fonte: Valor Econômico

O que muda com a PEC

Atualmente, o Banco Central integra o chamado setor público consolidado. Por isso, o lucro que repassa ao Tesouro é contabilizado como receita financeira, não primária, e não contribui diretamente para o cumprimento das metas fiscais. O mesmo vale no sentido inverso: quando o Tesouro cobre prejuízos do BC, o registro é de despesa financeira. A PEC da autonomia financeira e administrativa muda essa lógica: ao retirar o BC do setor público consolidado, os fluxos entre as duas instituições passariam a ser receitas e despesas primárias.

Esse ponto sustenta o cálculo de R$ 1,067 trilhão em 18 anos: se a PEC estivesse em vigor desde 2008, o governo teria registrado esse volume como receita primária acumulada, em valores corrigidos pela inflação. Galípolo afirmou que a tendência não deveria ser motivo de preocupação, pois as transferências do BC ao Tesouro superam historicamente o fluxo contrário. O principal ativo do balanço do BC são as reservas internacionais, que tendem a se valorizar em moeda nacional no longo prazo.

Por que a Fazenda resiste à PEC

A CCJ do Senado tem votação prevista para amanhã (27), após pedido de vista coletivo na semana passada adiar a análise do relatório do senador Plínio Valério (PSDB-AM). O ministro da Fazenda Dario Durigan deixou clara a resistência do governo, afirmando que o texto em tramitação não foi fechado pela equipe econômica e que o governo havia apresentado uma proposta diferente. Parte das resistências envolve o risco de precedente: se o BC obtiver autonomia orçamentária, outras autarquias reguladoras poderiam demandar tratamento similar.

Galípolo tem sido direto sobre a urgência institucional. Em audiência no Senado em abril, disse: “Desde minha sabatina, já venho tratando disso. Pedi apoio, pedi ajuda e agora peço socorro.” O BC opera com cerca de 3.000 servidores de 6.470 cargos autorizados. Para ex-dirigentes da instituição, a dependência orçamentária torna a autonomia do BC incompleta, mesmo com a independência técnica garantida por lei desde 2021.

O que observar

O argumento apresentado na coletiva do REF é sólido na média histórica, mas o risco fiscal apontado pela equipe econômica tem uma dimensão diferente: a volatilidade ano a ano. Em exercícios com resultado negativo para o BC, as perdas passariam a contar como despesa primária, pressionando diretamente o cumprimento do arcabouço fiscal. Vale acompanhar como o texto final da PEC tratará a hipótese de prejuízo: se a cobertura pelo Tesouro terá limite ou se os resultados negativos ficarão no balanço do BC sem impacto primário imediato.

Há ainda o efeito sobre a dívida bruta. O FMI já classifica bancos centrais como corporações privadas, o que eleva a dívida bruta brasileira nas contas do Fundo, pois os títulos públicos na carteira do BC passam a ser contabilizados como dívida. A PEC poderia alinhar a metodologia doméstica a esse padrão, com reflexo direto sobre como investidores externos avaliam o nível de endividamento do país.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilFinsiders BrasilSenado NotíciasLet’s Money

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