A diretoria de fiscalização do Banco Central perdeu 21,7% dos servidores desde 2015, caindo de 774 para 606, enquanto o número de instituições autorizadas a operar cresceu 54%, de 578 para 889. No mesmo período, as ações de supervisão recuaram 40%, de 1.198 em 2020 para 722 em 2025, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.
Fiscalização do BC: dez anos de assimetria
| Indicador | 2015/2020 | 2025/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Servidores na fiscalização | 774 (2015) | 606 (2026) | -21,7% |
| Instituições reguladas | 578 (2015) | 889 (2026) | +53,8% |
| Ações de supervisão | 1.198 (2020) | 722 (2025) | -39,7% |
| Instituições de pagamento | 0 (2015) | 203 (2026) | +203 |
Dados da área de fiscalização do BC obtidos via LAI. Fonte: Valor Econômico
O escândalo do Master e o momento crítico da supervisão
O cenário numérico ganhou peso político após o caso Master. Paulo Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, foram afastados e passaram a usar tornozeleira eletrônica após serem acusados pela Polícia Federal de receber propina de Daniel Vorcaro em troca de acesso privilegiado às apurações internas do regulador. O Master está em liquidação extrajudicial por suspeitas de fraude e deficiência patrimonial.
O BC informou adotar “modelo de alocação de pessoas orientado por prioridades institucionais, evolução regulatória e avanços tecnológicos” para manter a efetividade da supervisão. Para Larissa Arruy, sócia do escritório Mattos Filho, o diagnóstico é preciso: “O Banco Central tem recursos limitados, naturalmente acaba fazendo escolhas. Nos últimos anos, elas foram muito centradas em fomentar a inovação e as infraestruturas que trouxeram capacidade para isso e agora talvez seja o momento de olhar para investimentos muito mais focados em supervisão e em assegurar a estabilidade do ecossistema”.
A complexidade do sistema adicionou pressão extra. O Master, por exemplo, operava a partir de um grande número de fundos de investimento fora do perímetro regulatório do BC, o que exige não apenas análise de dados, mas verificação manual de contratos. Esse esforço adicional recai sobre uma equipe reduzida que ainda precisará absorver a supervisão do mercado de criptoativos, trazido para o perímetro do BC ao fim de 2025. Em 2015, não havia nenhuma instituição de pagamento autorizada pelo regulador; hoje são 203. O histórico do desvio de R$ 11,5 bi no Master envolvendo 36 empresas ilustra o custo dessa lacuna.






