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BC pode exigir auditoria de participantes do Pix

BC altera regulamento do Pix para poder exigir auditoria independente de participantes e convocar representantes para esclarecimentos.

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O Banco Central alterou o regulamento do Pix para poder exigir de participantes a apresentação de relatório de auditoria independente e convocar seus representantes para prestar esclarecimentos, conforme resolução publicada em 23 de abril.

Alterações no regulamento do Pix: resolução de 23/04

Mudança Detalhes
Auditoria independente BC pode exigir relatório de auditor registrado na CVM, inclusive quando notificar participante de infração
Convocação de representantes BC pode chamar representantes para prestar esclarecimentos, presencial ou virtual, a critério do BC

Fonte: Valor Econômico

Auditoria com credencial CVM

O BC definiu que a empresa de auditoria contratada deve estar registrada na Comissão de Valores Mobiliários e ter “capacidade técnica, administrativa e operacional” compatível com os trabalhos previstos na resolução. O relatório pode ser exigido tanto como instrumento preventivo quanto em situações em que o BC já notificou o participante de uma infração, o que transforma a auditoria em peça do processo de apuração, não só de conformidade antecipada.

O regulamento do Pix é de agosto de 2020 e estabelece obrigações, responsabilidades e penalidades para bancos, fintechs e cooperativas que integram o arranjo de pagamento. A atualização de abril é uma das poucas alterações formais a esse documento base desde a criação do sistema. O contexto de fraudes sofisticadas que miram o ecossistema, documentadas em análise sobre trilhas de fraude e o plano do BC para o Pix, reforça a motivação para ampliar os instrumentos de supervisão disponíveis ao regulador.

Poder de convocação e demais ajustes

Além da auditoria, o BC incluiu no regulamento a possibilidade de convocar representantes de participantes do Pix “para prestar esclarecimentos” de forma presencial ou virtual, a critério da autoridade monetária. A inclusão formaliza no próprio regulamento do Pix uma prerrogativa que o BC já exercia em outros contextos de supervisão, agora com base textual específica no arranjo de pagamento.

A resolução também atualiza outros pontos do regulamento original. O Pix mantém sua posição como o arranjo de pagamento com maior capilaridade no país, mas o debate sobre responsabilidade de participantes por fraudes e golpes segue em aberto, especialmente após decisões do STJ que delimitaram os limites dessa responsabilidade civil.

O que observar

A combinação de auditoria obrigatória com convocação de representantes cria uma escada de escalada regulatória: o BC passa a ter instrumentos formalizados para aprofundar investigações sem precisar recorrer a medidas mais drásticas de imediato. Para participantes de menor porte, como fintechs e cooperativas, o ponto prático é o custo de contratar uma auditoria com registro na CVM, que é mais restrito do que o universo geral de auditorias disponíveis no mercado.

Vale observar se o BC vai usar a auditoria como gatilho padrão em notificações de infração ou apenas em casos selecionados. Essa distinção muda o impacto operacional para os participantes: se for obrigatória toda vez que houver notificação, o volume de auditorias mandatórias pode crescer significativamente. O sinal regulatório da mudança aponta para uma postura mais ativa na verificação de conformidade dentro do arranjo, o que tende a elevar o padrão mínimo de governança esperado dos participantes do Pix.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money

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