O Banco Central lançou a sexta edição do seu relatório anual sobre riscos sociais, ambientais e climáticos e cravou por onde o clima extremo chega ao sistema financeiro: o crédito. Segundo o documento, a inadimplência é a principal via pela qual secas e enchentes ameaçam a estabilidade das instituições financeiras no país.
O que o BC encontrou no crédito
| Dimensão | Achado do relatório |
|---|---|
| Principal canal de transmissão | Risco de crédito, sobretudo inadimplência |
| Evento de maior relevância | Seca |
| Fator relevante nos riscos da natureza | Disponibilidade hídrica |
| Risco de enchentes | Exposição média baixa, com concentração regional |
| Impacto esperado no longo prazo | Percepção permanece baixa |
Achados do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (RIS), volume 6. Fonte: Banco Central
Onde o clima entra no balanço dos bancos
O volume 6 do relatório, com prefácio do presidente do BC, Gabriel Galípolo, apoia essa leitura numa pesquisa própria com o setor. Nas palavras do documento, “a Pesquisa de Estabilidade Financeira sobre Riscos Climáticos no SFN evidenciou que o risco de crédito, especialmente a inadimplência, segue como principal canal de transmissão dos riscos climáticos para a estabilidade financeira”. A seca aparece como o fenômeno de maior impacto potencial, ainda que a percepção de impacto no longo prazo continue baixa entre as instituições.
Outro trabalho, dedicado a como o setor financeiro se expõe aos riscos da natureza, colocou a água disponível no centro do problema, o que ajuda a explicar o peso da estiagem. Não por acaso, o regulador direcionou o Projeto Geotec para treinar equipes em sensoriamento remoto e geotecnologia aplicados à fiscalização do financiamento agrícola e do Proagro, o seguro da lavoura. O tema chega ao BC num momento em que a inadimplência já opera em níveis recordes em parte do mercado.





