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Durigan defende indicações ao BC e sinaliza saída de Mello

Ministro da Fazenda diz não ter falado com Lula sobre os cargos vagos no BC, defende indicações em 2026 e sinaliza que Mello não irá ao BC.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda não conversou com o presidente Lula sobre as duas vagas nas diretorias do Banco Central, abertas desde janeiro. Em entrevista ao Roda Viva na segunda-feira (4), defendeu que as indicações ao BC, CVM, Cade e ANPD sejam destravadas ainda em 2026 e sinalizou que Guilherme Mello, cotado por Haddad para uma das diretorias, não deve ser indicado.

Agenda de indicações pendentes

Órgão Situação
BC: Política Econômica Vago desde 1º jan. 2026
BC: Organização do SFN Vago desde 1º jan. 2026
CVM Indicação pendente
Cade Indicação pendente
ANPD Indicação pendente

Indicações a destravar, segundo Durigan. Fonte: Valor Econômico

Indicações ao BC paradas há cinco meses

As diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro Nacional ficaram sem titular desde 1º de janeiro, quando Diogo Abry Guillen e Renato Dias de Brito Gomes encerraram seus mandatos. Em novembro de 2025, os dois destacaram a agenda de BaaS e Open Finance como prioridades para o período final no cargo. O Banco Central opera há cinco meses com dois dos nove assentos do colegiado sem titular.

Em fevereiro, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que Lula ainda não havia formalizado os convites e confirmou os dois nomes cogitados: Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para as duas diretorias vagas. A indicação de Mello gerou reação negativa no mercado financeiro, que avaliou o perfil como excessivamente expansionista para a condução da política monetária. Com a mudança de comando na Fazenda, a agenda das indicações ao BC foi revisitada.

Durigan descreveu Mello como já alocado em funções de alto relevo no governo, sinalizando que o nome não será levado ao BC. “Guilherme Mello assumiu outras posições no governo, ele é agora secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, e também assumiu a presidência do conselho da Petrobras. Como uma figura importante, ele já assumiu outras posições de bastante relevo no governo”, frisou em entrevista ao Roda Viva.

Sobre o perfil para as novas indicações, o ministro reafirmou o critério técnico: “Para o Banco Central, os perfis das indicações que foram feitas pelo ministro [Fernando] Haddad e pelo presidente Lula parece que foram corretos. As outras indicações devem seguir na mesma linha: pessoas que têm bagagem na academia, conhecimento da gestão pública, do mercado financeiro, da política monetária. Então, eu não esperaria nada diferente disso”, disse Durigan.

A derrota do governo na indicação de Jorge Messias para o STF elevou a cautela do Planalto para novas nomeações. Mesmo assim, Durigan defendeu calendário claro: “Eu acho que a gente deveria encaminhar as indicações que estão previstas, seja do Banco Central, seja da CVM, do Cade e da ANPD. Tem uma série de indicações a serem feitas e eu acho que, em prol de um funcionamento adequado da máquina pública, essas indicações devem ser feitas”, afirmou.

O que observar

O colegiado do BC opera com quórum reduzido há cinco meses, num período em que a Selic permanece em patamar elevado e as decisões de política monetária são monitoradas de perto pelo mercado. Quanto mais longa a vacância, maior o risco de que decisões relevantes ocorram sem os dois titulares das áreas de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro. Vale acompanhar se a cautela do Planalto pós-STF vai prevalecer sobre o calendário que Durigan defendeu publicamente.

O perfil descrito pelo ministro, com ênfase em academia, gestão pública e mercado financeiro, é compatível com o de diretores aprovados recentemente pelo Senado, o que pode facilitar a sabatina. A questão central é se o governo consegue convergir em nomes que satisfaçam tanto o critério técnico quanto o político para as duas diretorias ainda sem titular, incluindo a área mais sensível ao mercado, a de Política Econômica.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyLet’s MoneyLet’s Money

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