O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda não conversou com o presidente Lula sobre as duas vagas nas diretorias do Banco Central, abertas desde janeiro. Em entrevista ao Roda Viva na segunda-feira (4), defendeu que as indicações ao BC, CVM, Cade e ANPD sejam destravadas ainda em 2026 e sinalizou que Guilherme Mello, cotado por Haddad para uma das diretorias, não deve ser indicado.
Agenda de indicações pendentes
| Órgão | Situação |
|---|---|
| BC: Política Econômica | Vago desde 1º jan. 2026 |
| BC: Organização do SFN | Vago desde 1º jan. 2026 |
| CVM | Indicação pendente |
| Cade | Indicação pendente |
| ANPD | Indicação pendente |
Indicações a destravar, segundo Durigan. Fonte: Valor Econômico
Indicações ao BC paradas há cinco meses
As diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro Nacional ficaram sem titular desde 1º de janeiro, quando Diogo Abry Guillen e Renato Dias de Brito Gomes encerraram seus mandatos. Em novembro de 2025, os dois destacaram a agenda de BaaS e Open Finance como prioridades para o período final no cargo. O Banco Central opera há cinco meses com dois dos nove assentos do colegiado sem titular.
Em fevereiro, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que Lula ainda não havia formalizado os convites e confirmou os dois nomes cogitados: Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para as duas diretorias vagas. A indicação de Mello gerou reação negativa no mercado financeiro, que avaliou o perfil como excessivamente expansionista para a condução da política monetária. Com a mudança de comando na Fazenda, a agenda das indicações ao BC foi revisitada.
Durigan descreveu Mello como já alocado em funções de alto relevo no governo, sinalizando que o nome não será levado ao BC. “Guilherme Mello assumiu outras posições no governo, ele é agora secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, e também assumiu a presidência do conselho da Petrobras. Como uma figura importante, ele já assumiu outras posições de bastante relevo no governo”, frisou em entrevista ao Roda Viva.
Sobre o perfil para as novas indicações, o ministro reafirmou o critério técnico: “Para o Banco Central, os perfis das indicações que foram feitas pelo ministro [Fernando] Haddad e pelo presidente Lula parece que foram corretos. As outras indicações devem seguir na mesma linha: pessoas que têm bagagem na academia, conhecimento da gestão pública, do mercado financeiro, da política monetária. Então, eu não esperaria nada diferente disso”, disse Durigan.
A derrota do governo na indicação de Jorge Messias para o STF elevou a cautela do Planalto para novas nomeações. Mesmo assim, Durigan defendeu calendário claro: “Eu acho que a gente deveria encaminhar as indicações que estão previstas, seja do Banco Central, seja da CVM, do Cade e da ANPD. Tem uma série de indicações a serem feitas e eu acho que, em prol de um funcionamento adequado da máquina pública, essas indicações devem ser feitas”, afirmou.






