O Brasil financiou cerca de 684 mil veículos em agosto, ou 683.928 unidades na contagem exata da Trillia, braço de dados e analytics da B3. O volume supera em 10,4% o de agosto de 2025. Desde 2011, quando o mês fechou com 729.672 unidades, nenhum agosto havia chegado tão alto. Na conta entram carros leves, motos e pesados, novos e usados.
Os automóveis leves ficaram com 478 mil das operações do mês, perto de 70% do total. As motos vieram em seguida: foram 178 mil contratos, 133 mil deles para modelos zero-quilômetro e o restante, 45 mil, para usadas; contra agosto de 2025, o segmento subiu 4,9%. Nos pesados, o total foi de 27 mil financiamentos (15 mil novos e 12 mil usados), e a alta sobre agosto de 2025 chegou a 10,4%, igual à do mercado inteiro.
Na divisão por região, o Sudeste concentrou 42% dos financiamentos. Sul, com 20%, e Nordeste, com 19,8%, aparecem quase empatados logo atrás, e Centro-Oeste (10,7%) e Norte (7,5%) completam a conta.
“A alta consistente de financiamento de veículos mostra a resiliência do mercado mesmo em momentos de volatilidade na economia”, afirmou Thiago Gaspar, superintendente de Relacionamento com Clientes na Trillia. Pela conta dele, cada dia útil de agosto registrou, em média, 32.568 veículos financiados.
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Acumulado do ano cresce 10%
Somados os oito meses de 2026 já fechados, o total chega a 5,136 milhões, avanço de 10% sobre igual intervalo de 2025. O passo lembra o da metade inicial do ano, que terminou com 3,78 milhões de financiamentos, 10,9% acima de 2025 e na maior marca para o período desde 2008, pelos números da B3.
O levantamento de agosto também trouxe a Tabela Auto B3, montada pela Trillia com a Bright Consulting. O preço de transação do zero-quilômetro avançou 2,7% ante julho, quando havia recuado 1,2%, e todos os segmentos de novos subiram, com destaque para as picapes derivadas de automóveis (+7,8%). Em 12 meses, porém, os novos ainda estão 1,1% mais baratos na média. Nos usados, o mês fechou praticamente estável, com variação de -0,1%, e a queda acumulada em 12 meses é de 3,9%.
O que observar
O levantamento associa o resultado a um ambiente de juros elevados e economia instável, o que torna o volume mais relevante. A pergunta é quanto desse fôlego resiste no fim do ano: o acumulado até agosto (10%) ficou um pouco abaixo da taxa do semestre (10,9%), e vale acompanhar se setembro e outubro mantêm o crescimento na casa dos dois dígitos.
O preço é o outro vetor. Se a alta do zero-quilômetro em agosto se confirmar como tendência, o valor médio de cada contrato tende a subir, enquanto a queda de 12 meses nos usados pode encolher o valor das garantias. Como bancos e financeiras vão calibrar entrada e prazo diante desse descompasso é um ponto a monitorar nas próximas leituras da série.