O Banco Central Europeu (BCE) lançou o Pontes, solução que permite liquidar em moeda de banco central as transações de atacado feitas com ativos tokenizados. Na prática, a plataforma conecta redes de registro distribuído (DLT) ao serviço de liquidação Target do Eurosistema.
Do teste ao Pontes: o cronograma do Eurosistema
| Etapa |
Marco |
| 2024 |
Testes do Eurosistema com DLT para liquidação em moeda de banco central |
| Agora |
Lançamento do Pontes; primeiro grupo de participantes e operadores de DLT já pode usar |
| Gradual |
Recursos adicionais e horários de operação mais longos |
| 2028 |
Implementação total do Pontes e entrega do blueprint do Appia |
Cronograma do Eurosistema para finanças tokenizadas. Fonte: Finextra
Do teste de 2024 ao lançamento
O Pontes parte do resultado dos testes que o Eurosistema conduziu em 2024 com DLT para liquidação em moeda de banco central. Na largada, a plataforma oferece um conjunto básico de serviços, que será ampliado ao longo do tempo conforme as necessidades do mercado e a evolução tecnológica. Recursos adicionais e horários de operação mais longos entram de forma gradual, com implementação total prevista para 2028.
Um primeiro grupo de participantes de mercado e operadores de DLT concluiu a integração e já pode usar o Pontes de imediato. Outros participantes se comprometeram a se conectar à plataforma nos próximos meses. “O Eurosistema está trabalhando para viabilizar um mercado financeiro europeu mais integrado, inovador e resiliente na era digital”, disse Christine Lagarde, presidente do BCE, em tradução livre. Segundo ela, a instituição seguirá avançando em colaboração próxima com o mercado.
BCE investe recursos próprios e prepara o Appia
Para ganhar experiência direta com o uso de blockchain nos mercados financeiros, o BCE iniciou trabalhos preparatórios para investir uma pequena parcela de seus próprios recursos em títulos tokenizados. Os investimentos iniciais envolverão títulos denominados em euro do setor público da zona do euro e de entidades supranacionais europeias.
Em paralelo, o BCE seguirá construindo as bases do Appia, o roteiro estratégico pelo qual o Eurosistema pretende ajudar a desenhar um ecossistema financeiro tokenizado europeu. O escopo vai além de pagamentos e inclui infraestruturas compartilhadas, interoperabilidade de redes, padrões técnicos comuns, emissão e liquidação de instrumentos financeiros tokenizados, gestão de garantias, conectividade transfronteiriça, fundamentos jurídicos e regulatórios, os papéis do dinheiro público e privado e a governança europeia. A iniciativa reúne trabalho experimental e analítico do Eurosistema, do Danmarks Nationalbank e de agentes dos setores público e privado, com a meta de entregar um blueprint até 2028.
O que observar
A aposta recoloca a moeda de banco central no centro da liquidação de ativos digitais, num momento em que reguladores e organismos multilaterais discutem quem deve lastrear esses mercados. O BIS vem defendendo depósitos tokenizados no lugar de stablecoins, enquanto o FMI alertou que a tokenização migra risco de bancos para o código. Vale acompanhar quantos participantes migram do grupo inicial para o uso em escala e se o cronograma de 2028 resiste à complexidade jurídica e operacional apontada por especialistas.
Outra frente a observar é a de infraestrutura pública de dinheiro digital. O mesmo BCE que abre o Pontes para o atacado também convocou lojistas para o piloto do euro digital previsto para 2027. A pergunta é se a agenda de tokenização de atacado e a de dinheiro digital de varejo vão convergir numa arquitetura única ou seguir em trilhos separados.
Fontes: Finextra • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money