Para Arminio Fraga, a disputa entre fintech e banco costuma ser mal contada. Em debate nesta terça-feira (11), o economista que já comandou o Banco Central afirmou não enxergar as fintechs ocupando o lugar das instituições bancárias. Para ele, o alerta recente do setor mora em outro lugar: nos fundos que entram na carteira de ativos dos bancos.
“Eu não vejo as fintechs como sendo um substituto natural e concorrente dos bancos. Vejo, sim, o mercado de capitais como um todo”, disse Fraga em um encontro sobre regulação de mercados do CIEE, na capital paulista. Para ele, o espaço natural desse grupo está mais na infraestrutura de transações: “O mundo das fintechs vive mais no sistema de pagamentos”, acrescentou.
Onde Fraga enxerga o risco de verdade
A provocação era outra: perguntaram ao economista se abrir o sistema a novos entrantes teria virado desculpa para relaxar as regras. Ele desviou o holofote das fintechs. “Eu acho que o destaque do momento, para mim, foi o uso de fundos nos ativos dos bancos”, afirmou. Na avaliação dele, esse desenho não bloqueia a fiscalização: tanto o regulador bancário quanto a CVM já dispõem de ferramentas para abrir os fundos e enxergar o que há dentro.
Foi ao comentar um banco recentemente liquidado pelo regulador que ele resumiu a falha de supervisão. “O supervisor bancário teria que ter aberto, ter feito a pergunta: ‘O que é que tem dentro desse fundo?'”, disse. “Mas se tem outro fundo, então vai abrindo até chegar ao final, para ter uma ideia da qualidade dos ativos ou da falta dela.” O comentário chega em meio a uma sequência recente de intervenções conduzidas pelo Banco Central.
O mapa de Arminio Fraga
| Fintech x banco | não são substitutas naturais; vivem mais em pagamentos |
| Risco recente do setor | uso de fundos na composição dos ativos dos bancos |
| Supervisão | BC e CVM têm instrumentos para examinar os fundos |
| Modelo regulatório | transição para regulação por função |
| Concorrência | saudável, mas banco não permite livre entrada |
Posições de Arminio Fraga em debate sobre regulação promovido pelo CIEE, em São Paulo. Fonte: Valor Econômico








