A Bemobi registrou receita de R$ 222 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 32,9%, e integrou Apple Pay e Google Pay à plataforma de pagamentos recorrentes, no que a empresa descreve como um dos primeiros movimentos do tipo no Brasil. O lucro líquido ajustado somou R$ 37,3 milhões, crescimento de 21,1%.
Bemobi 1T26: principais indicadores
| Indicador |
1T26 |
Var. anual |
| Receita líquida |
R$ 222 mi |
+32,9% |
| EBITDA ajustado |
R$ 74,7 mi |
+32,0% |
| Lucro ajustado |
R$ 37,3 mi |
+21,1% |
| TPV (sem Paytime) |
R$ 3,2 bi |
+34% |
| TPV (com Paytime) |
R$ 3,5 bi |
+48% |
Resultado do 1T26 da Bemobi. Fonte: Valor Econômico
Pagamentos e SaaS já dominam a receita
A vertical de pagamentos cresceu 41% no período e a de software (SaaS) avançou 25%. Juntas, as duas áreas já respondem por quase 70% da receita total, uma inversão completa em relação ao IPO de 2021, quando o negócio central era recarga e assinatura de jogos mobile. “Esse trimestre tem um certo simbolismo, porque não só é cinco anos de abertura de capital, é um dos maiores crescimentos, mas ele também mostra que a gente meio que praticamente já, a empresa praticamente terminou essa transformação”, disse Pedro Ripper, CEO da Bemobi.
O volume total de pagamentos atingiu R$ 3,2 bilhões, alta de 34%. Com a Paytime, cuja aquisição foi concluída em dezembro, o TPV soma R$ 3,5 bilhões e a alta vai a 48%. Este é o primeiro trimestre em que a Paytime é consolidada no balanço. “O crescimento orgânico é um crescimento bem forte, e de maneira semelhante aos últimos trimestres”, disse Ripper. O take rate ficou em 2,7%, ante 2,6% no mesmo período de 2025.
Pix, Apple Pay e próximo passo: agentes de IA
No trimestre, a Bemobi integrou Apple Pay e Google Pay à ferramenta de pagamentos recorrentes. No orquestrador de Pix, que o Let’s Money já havia reportado quando do seu lançamento em novembro, foram incorporados cinco bancos de primeira linha e 16 grandes empresas no trimestre. A base de assinaturas pagas chegou a 26,4 milhões, alta de 2%, enquanto o segmento de microfinanças registrou 54 milhões de transações, queda de 7%.
A Bemobi também planeja avançar em inteligência artificial, com um modelo voltado à conversão de clientes como primeira iniciativa. Ripper descreveu o ativo central da empresa: “A gente é hoje a empresa no Brasil que tem a maior base proprietária de comportamento de pagamento de conta recorrente, e eu tenho isso multi-indústria, multi-cliente e multi-país.” Para o comércio agêntico, a empresa prepara o checkout para que agentes de IA processem pagamentos em nome dos clientes finais.
O que observar
O take rate de 2,7% é a métrica central para avaliar se a absorção de uma plataforma PaaS adquirida no fim de 2025 sustentará as margens ou as comprimirá ao longo do ano. Modelos PaaS tendem a operar com taxas diluídas em volumes maiores, e a trajetória nos próximos trimestres indicará se o novo mix de negócios preserva a lucratividade por transação. A queda de 7% nas transações de microfinanças pode sinalizar uma deprioritização deliberada de segmentos de menor margem, mas vale verificar se há componentes sazonais ou conjunturais no resultado.
A aposta em comércio agêntico é a frente mais especulativa: processadores de recorrência com base proprietária de comportamento de compra têm vantagem técnica para habilitar agentes de IA, mas a monetização desse modelo ainda não tem precedente claro no mercado brasileiro. A pergunta relevante é se o checkout agêntico gerará receita incremental ou funcionará como upgrade de infraestrutura sem pricing próprio para os clientes atuais.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money