O colapso do Banco Master não alterou a percepção dos investidores internacionais sobre o setor de fintechs no Brasil. Essa é a avaliação de PicPay, segundo seu CEO, Eduardo Chedid, que afirmou que o episódio sequer apareceu nas conversas com investidores durante o processo de abertura de capital da companhia em Nova York.
“Se tem uma coisa que o Banco Master não era, era uma fintech. Era muito mais um banco tradicional do que uma fintech”, disse o executivo após a cerimônia de listagem das ações do PicPay na Nasdaq, segundo o “Estadão“. De acordo com ele, o caso não afetou o racional dos mais de 300 investidores que participaram das reuniões do IPO.
A leitura de Chedid vai na contramão do receio de que a liquidação do Banco Master pudesse contaminar a imagem do ecossistema financeiro digital brasileiro. Para o CEO do PicPay, o episódio reforça justamente o oposto: a atuação do regulador.
Regulação como sinal, não como risco
Segundo o executivo, o fato de o Banco Central ter decretado a liquidação do Master foi interpretado como um sinal positivo pelo mercado. “Mostra que o regulador está atento e olhando para o sistema”, afirmou.
Essa distinção entre modelos de negócio também apareceu de forma clara no diálogo com investidores. Enquanto o Master operava com uma estrutura mais próxima de bancos tradicionais, inclusive com forte exposição a operações de crédito estruturadas, o PicPay se apresentou como uma plataforma digital com modelo escalável, foco em tecnologia e base ampla de usuários.
O PicPay levantou cerca de US$ 435 milhões no IPO e estreou avaliado em aproximadamente US$ 2,6 bilhões, tornando-se a primeira empresa brasileira a abrir capital em Nova York desde a listagem do Nubank, em 2021.








