A fintech mexicana Clara estreou no Brasil o Clara Veículos, um cartão empresarial de bandeira Mastercard que só serve para encher o tanque e cobra a fatura depois do uso. A aposta é fisgar um nicho avaliado pela própria empresa em torno de R$ 400 bilhões anuais no país.
Clara Veículos: o que a empresa promete
| Indicador |
Número informado pela Clara |
| Mercado-alvo (estimativa da empresa) |
~R$ 400 bi/ano |
| Meta de participação |
10% do segmento em 12 a 15 meses |
| Economia prometida |
até 20% no gasto com combustível |
| Bandeira e modelo |
Mastercard, pós-pago |
| Regra de uso |
um cartão por veículo |
Estimativas e metas informadas pela Clara. Fonte: Exame
Como o Clara Veículos funciona
O produto restringe o crédito a uma única finalidade: encher o tanque. Cada carro da frota ganha um plástico próprio, e a empresa define parâmetros como teto de gasto, dias e faixas de horário em que o cartão pode ser usado. Toda transação chega ao painel da Clara no instante em que acontece, o que dá ao gestor uma leitura contínua da despesa. A conta só é fechada depois do consumo, no formato pós-pago, e os pagamentos são aceitos em postos ligados à rede da Mastercard.
A leitura da Clara é que gestores de frota operam hoje sem visibilidade sobre para onde vai o dinheiro do combustível. “Vimos muita demanda dos nossos clientes para gerenciar essa categoria de despesas, na qual as empresas gastam muito e ainda enfrentam problemas por falta de controle”, afirmou Gerry Giacomán Colyer, fundador e CEO da Clara.
A aposta da Clara no Brasil
O lançamento marca a entrada da fintech no disputado setor de gestão de frotas, hoje dominado por cartões de abastecimento tradicionais e por soluções de telemetria. A empresa diz querer abocanhar uma fatia de 10% do setor dentro de 12 a 15 meses e projeta uma redução de até 20% na fatura de combustível das companhias, dois números que partem das próprias contas da Clara.
Para tocar a operação, a fintech pôs à frente da nova vertical João Cláudio Ribeiro, um profissional que já trabalhou nas áreas de mobilidade e de meios de pagamento para empresas. O plano é ampliar o produto no Brasil e no México nos próximos meses. No fim de 2025, a companhia já havia levantado capital para expandir suas operações na região.
O que observar
O tamanho de mercado e a meta de participação vêm da própria empresa, não de uma medição independente, e vale acompanhar se a adoção confirma a leitura de que há espaço aberto para um entrante digital. O segmento de cartões de abastecimento no Brasil já conta com operadores consolidados, então a pergunta prática é qual diferencial de controle e de custo convence o gestor de frota a trocar de fornecedor.
A promessa de economia de até 20% também é um teste em aberto: ganhos desse tipo costumam depender de reduzir desvios e fraudes no abastecimento, algo que só aparece na operação real. Para empresas que avaliam a mudança, o critério concreto é comparar a tarifa embutida e as regras de controle com o que o fornecedor atual já entrega.
Fontes: Exame