O Banco Inter fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro de R$ 395 milhões, alta de 37,8% em relação ao mesmo período de 2025, e retorno sobre patrimônio (ROE) de 15,5%. A inadimplência avançou a 5,1%, mas o banco mantém a meta 60-30-30 e atualizará o plano de negócios em encontro com investidores na próxima semana.
Inter 1T25 x 1T26: indicadores-chave
| Indicador |
1T25 |
1T26 |
| Lucro líquido |
R$ 287 mi |
R$ 395 mi |
| ROE |
12,9% |
15,5% |
| Inadimplência (>90 dias) |
4,6% |
5,1% |
| Carteira de crédito |
R$ 37,4 bi |
R$ 49,8 bi |
| Clientes |
37,7 mi |
44,0 mi |
Balanço 1T26 do Inter. Fonte: Valor Econômico
Carteira supera R$ 49 bi com consignado privado em expansão
A carteira de crédito chegou a R$ 49,8 bilhões, crescimento de 33,2% em doze meses e 3,3% no trimestre. O consignado privado atingiu R$ 2,5 bilhões com 600 mil clientes ativos, segmento que já movimenta R$ 110 bilhões no país. Quase 70% do portfólio total conta com algum tipo de colateral, segundo o CFO Santiago Stel. O total de clientes atingiu 44,0 milhões (+16,7% em um ano), com 25,8 milhões de usuários ativos.
No crédito para pessoa jurídica, o banco registrou queda de 12% no trimestre por fatores sazonais, sem mudança de estratégia no segmento. Desconsiderando o PJ, o crescimento anual da carteira seria de 36%. O índice de eficiência recuou a 43,8%, ante 48,3% um ano antes. “Não estamos no negócio de reduzir a inadimplência, mas de ganhar dinheiro com a concessão de crédito. Crescemos muito a carteira e no modelo de perda esperada você tem de provisionar tudo no começo da operação”, afirmou Stel ao Valor.
Inadimplência sobe no 1T26, mas meta 60-30-30 segue de pé
A inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,7% em dezembro para 5,1% em março, acima dos 4,6% de março de 2025. O CFO atribui o avanço à sazonalidade do primeiro trimestre e à expansão do consignado privado. “Em meados do ano passado estávamos com a inadimplência nas nossas mínimas históricas e houve um crescimento no custo do crédito como um todo no mercado. A inadimplência ainda vai subir um pouco, mas nada fora da curva”, disse Stel ao Valor.
A meta 60-30-30 prevê chegar ao fim de 2027 com 60 milhões de clientes, ROE de 30% e índice de eficiência de 30%. Com o ROE atual em 15,5%, a lacuna para o alvo ainda é de 14,5 pontos percentuais. O banco atualizará o plano no encontro com investidores da próxima semana. “A meta não morreu, mas vai evoluir”, disse o CFO. O resultado confirma a trajetória crescente de lucratividade dos bancos digitais: no 3T25, fintechs brasileiras superaram R$ 7 bilhões em lucro combinado. Em fevereiro, o banco também lançou Pix via WhatsApp com inteligência artificial, avançando na estratégia de canais digitais.
O que observar
O encontro com investidores da próxima semana é o primeiro ponto de verificação para a meta 60-30-30. A lacuna de 14,5 pontos percentuais entre o ROE atual e o alvo de 30% ainda é expressiva para ser coberta em menos de dois anos, especialmente num cenário de inadimplência ascendente. Vale acompanhar se o prazo de 2027 será mantido ou revisto e qual será o mix de carteira projetado: o consignado privado cresce, mas carrega inadimplência estruturalmente acima da média do portfólio e exige provisões antecipadas.
A trajetória do crédito para empresas é o segundo ponto de atenção. A queda no trimestre foi atribuída à sazonalidade, mas bancos digitais com ambições no segmento precisam converter esse volume nos trimestres seguintes para sustentar a carteira total. O segundo trimestre dirá se o ritmo de provisão do consignado e a retomada do crédito empresarial são compatíveis com a curva de rentabilidade projetada.
Fontes: Valor Econômico • Suno • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money