O Nubank anunciou dois novos produtos para clientes PJ: antecipação de recebíveis de boletos sem necessidade de nota fiscal e uma linha de capital de giro com cobertura do BNDES pelo PEAC, com prazo de 6 a 82 meses, carência de até dois anos e juro de 1,75% ao mês.
Nu Empresas: novos produtos de crédito PJ
| Produto |
Condições |
| Antecipação de recebíveis de boletos |
Sem necessidade de nota fiscal |
| Capital de giro PEAC (FGI/BNDES) |
6 a 82 meses, carência até 2 anos, 1,75% ao mês |
Capital de giro PEAC do Nu Empresas. Fonte: Valor Econômico
Nu Empresas no crédito de médio e longo prazo
A entrada no capital de giro com prazo de até 82 meses e dois anos de carência reposiciona o Nu Empresas num segmento historicamente dominado por bancos de médio porte e linhas credenciadas do próprio BNDES. A cobertura pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), do Programa Emergencial de Acesso a Crédito, reduz o risco da operação e viabiliza condições mais acessíveis para micro e pequenas empresas.
O movimento integra a estratégia de expansão anunciada pelo Nubank em fevereiro: a fintech afirmou que investirá R$ 45 bilhões no Brasil em 2026, com ampliação de crédito como uma das frentes prioritárias. A carteira de crédito da Nu Holdings encerrou 2025 em R$ 179,7 bilhões, crescimento de 40% em relação a 2024.
Antecipação sem nota fiscal: a novidade para o PJ
A linha de antecipação de recebíveis cobre boletos sem exigir nota fiscal para a operação. A dispensa do documento elimina uma barreira comum para empresas de menor porte, que frequentemente operam sem emissão sistemática de NF. “Com essas novidades, o Nu Empresas segue se consolidando como uma instituição pronta para atuar com seus clientes: no curto prazo, para o equilíbrio da saúde financeira e, no médio e longo prazo, também no crescimento e ampliação de seus negócios, com transparência e segurança”, disse Maximiliano Damian, diretor-geral do Nu Empresas, em nota.
O apetite pelo segmento de crédito B2B para pequenas empresas tem crescido além das fintechs verticais: em janeiro, a gestora SRM Ventures aportou R$ 30 milhões em fintech especializada em antecipação de recebíveis, apostando no crédito B2B como tese central para o segmento.
O que observar
O prazo de até 82 meses com dois anos de carência posiciona fintechs de crédito PJ em competição direta com linhas bancárias tradicionais em segmentos até agora dominados por instituições com relacionamento mais antigo com micro e pequenas empresas. Vale acompanhar se a dispensa de nota fiscal na antecipação de boletos atrai clientes que historicamente eram atendidos por factorings e securitizadoras independentes, segmento com perfil de risco diferente do crédito ao consumidor pessoa física.
No médio prazo, a combinação de antecipação de curto prazo com capital de giro de longa duração num único ecossistema digital pode pressionar prestadoras de serviços financeiros especializadas em PMEs a oferecer experiências mais integradas para reter esse perfil de cliente.
Fontes: Valor Econômico • BNDES • Nu Holdings • Let’s Money