O Nubank encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 10 milhões de usuários ativos mensais no Pix com IA, ativou o Nuformer para decisões de crédito em tempo real no Brasil e no México, e registrou lucro líquido de US$ 871,5 milhões, alta de 56,5%.
Nubank: 1° trimestre de 2026
| Indicador |
Resultado |
| Pix com IA (MAU) |
10 mi |
| AI Private Banker (MAU) |
15 mi |
| Produtividade de engenharia |
+50% a.a. |
| Consumo de tokens |
10x (desde jan/2026) |
| Clientes totais |
135 mi (+13,5%) |
| Receita líquida |
US$ 5,3 bi (+60%) |
| Lucro líquido |
US$ 871,5 mi (+56,5%) |
Indicadores do Nubank no 1° trimestre de 2026. Fonte: Mobile Time
IA em produção, não em piloto
O banco divide a transformação por IA em dois eixos. O primeiro é de produto: o Pix com IA, evolução do crédito integrado ao Pix que o banco liberou em janeiro, encerrou o trimestre com 10 milhões de usuários ativos mensais; o AI Private Banker, voltado para aconselhamento de crédito e recomendações financeiras, chegou a 15 milhões. O segundo eixo é de infraestrutura: o Nuformer, modelo de fundação desenvolvido internamente, entrou em operação no México e no Brasil para decisão de crédito em cartão e para empréstimos sem garantia com resposta em tempo real.
Os efeitos aparecem nos indicadores de engenharia: produtividade 50% acima do mesmo período de 2025, volume de testes 90% maior e consumo de tokens 10 vezes superior ao registrado em janeiro de 2026. O banco sinalizou que mais soluções baseadas em IA serão lançadas ao longo do ano.
Crescimento e resultado
O Nubank chegou a 135 milhões de clientes ao final do trimestre, crescimento de 13,5% em relação ao mesmo período de 2025. O Brasil responde por 115 milhões no total, dos quais 100 milhões são considerados ativos, taxa de ativação de 83%. O Banco Central rastreava 112 milhões de usuários da instituição no Brasil em janeiro, antes do fechamento do trimestre. No México, o banco atingiu 15 milhões de clientes e alcançou o break-even. Na Colômbia, a operação se aproxima dos 5 milhões.
A receita média por cliente ativo (ARPAC) chegou a US$ 16, alta de 33% em relação aos US$ 12 do primeiro trimestre de 2025. A receita líquida somou US$ 5,3 bilhões, crescimento de 60% contra o mesmo período do ano anterior. Os custos operacionais subiram 41%, de US$ 459 milhões para US$ 647,5 milhões. O lucro antes dos impostos (EBT) avançou 42%, de US$ 867 milhões para US$ 1,2 bilhão. O lucro líquido ficou em US$ 871,5 milhões, alta de 56,5% em relação aos US$ 557 milhões do primeiro trimestre de 2025.
O que observar
Bancos com modelos de fundação próprios para crédito têm uma vantagem estrutural específica: cada decisão errada alimenta o ciclo de aprendizado interno, em vez de se tornar dado de treinamento de terceiros. O indicador que valida ou refuta esse argumento é a inadimplência nas carteiras geridas pelo modelo proprietário comparada às tratadas por modelos externos. Se o diferencial aparecer, o custo de replicação por concorrentes sobe de forma significativa.
O segundo sinal a observar é a velocidade de expansão geográfica do modelo. A operação entrou em produção no Brasil e no México; a Colômbia, ainda próxima dos 5 milhões de clientes, seria a próxima fronteira lógica. Quando bancos digitais com presença multinacional começarem a usar modelos de crédito localmente treinados, a dependência de bureaus tradicionais de crédito entra em compressão direta.
Fontes: Mobile Time • Let’s Money • Let’s Money