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Nubank cresce em crédito com IA e sem subir inadimplência

nuFormer, modelo transformer do Nubank, reduziu risco em 70% e ampliou participação de mercado. Inadimplência estável entre 2,8% e 2,9% no 4T25.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O Nubank divulgou que seu modelo de risco nuFormer, baseado em arquitetura transformer, reduziu o risco em 70% em relação à geração anterior e contribuiu para um ganho de 50 pontos-base de participação no volume de compras com cartão no Brasil no 4T25, enquanto as baixas por inadimplência permaneceram estáveis entre 2,8% e 2,9% da carteira corrente, segundo dados gerenciais da empresa.

nuFormer: principais métricas (4T25)

Indicador Dado
Redução de risco (nuFormer vs anterior) 70%
Ganho de market share em compras (4T25) +50 pontos-base
Baixas por inadimplência (write-offs) 2,8%–2,9% da carteira corrente
Crescimento da carteira (4T24–4T25) ~40%
Receita média por cliente ativo US$ 15 (vs ~US$ 40 nos grandes bancos)
Limites não utilizados disponíveis US$ 11 bilhões

Dados gerenciais divulgados pelo Nu Videocast. Fonte: Nubank

nuFormer e a escala do modelo de crédito

O nuFormer é o resultado de 17 gerações de modelos de aumento de limite e 10 gerações de modelos de originação, construídos sobre mais de 100 terabytes de dados comportamentais. Mais de 1.000 artefatos de monitoramento de risco são revisados toda semana. A tese de que o próximo grande banco digital seria nativo em IA já circulava no setor desde 2025, e o nuFormer é o argumento mais concreto que o Nubank apresentou até agora para sustentar essa posição.

Jeremy Selesner, GM de Cartão de Crédito, afirmou que o fato de o Nubank ter nascido com um cartão de crédito, e não com uma conta, foi decisivo: “Precisávamos gerenciar o crédito e os ciclos econômicos. Era isso ou não sobreviver.” Tyler Horn, VP de Risco de Crédito, disse que a abordagem continua sendo conservadora: a empresa projeta cenários futuros piores do que o histórico observado, o que Horn classifica como parte da essência da gestão de risco da companhia. A cada geração do modelo, os ganhos de performance entregam cerca de três vezes o que seria observado em uma melhora técnica típica do setor.

Crescimento da carteira e Desenrola Brasil

A carteira de crédito cresceu cerca de 40% do 4T24 para o 4T25, com US$ 11 bilhões em limites não utilizados já aprovados e disponíveis para clientes atuais. A receita média por cliente ativo ficou em US$ 15 no período, contra aproximadamente US$ 40 nos grandes bancos tradicionais brasileiros, diferença que reflete tanto uma base de clientes ainda nas fases iniciais do relacionamento quanto o perfil de renda inferior de parte dessa base. O Nubank chegou próximo de US$ 90 bilhões em valor de mercado no início deste ano, consolidando-se como a fintech de maior valor da América Latina.

O episódio foi divulgado junto com a confirmação da participação no Novo Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas. A empresa lançou um programa paralelo para clientes fora dos critérios de elegibilidade, com possibilidade de recuperação do cartão de crédito. Os dois programas funcionam pelo app e constroem as ofertas com base na capacidade de pagamento individual, com limites internos para o crescimento do endividamento ao longo do tempo.

O que observar

A estabilidade das baixas por inadimplência entre 2,8% e 2,9% com crescimento de carteira de 40% é o indicador-chave a acompanhar nas próximas divulgações. Se o modelo mantiver essa relação, confirma a tese de que o ganho de precisão da IA permite expandir sem deterioração do portfólio. Se a inadimplência subir em ciclos futuros, o teste real da abordagem conservadora de projetar cenários piores do que o passado estará em curso.

O gap de receita por cliente (US$ 15 versus US$ 40 nos incumbentes) aponta tanto uma oportunidade de crescimento orgânico quanto um risco de mix: à medida que a carteira cresce, a qualidade média pode variar dependendo de quais perfis são incorporados. Os programas de renegociação de dívidas, ao reativar clientes inadimplentes, criam volume mas também reintroduzem risco que o modelo precisará gerir.

Fontes: NubankLet’s MoneyLet’s Money

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