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FintechFintech · Banco Central

Pagsmile compra a Microcash e entra no crédito PME

A Pagsmile comprou a Microcash, com aval do Banco Central, e passa a operar crédito regulado para micro, pequenos empreendedores e PMEs no Brasil.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Abner Garcia / Let's Money

A infraestrutura de pagamentos da Pagsmile ganhou uma nova frente. A empresa fechou a compra da Microcash e, com o aval do Banco Central, passa a operar também no crédito PME, saindo do papel de instituição exclusivamente de pagamentos para atuar como instituição financeira.

A compra já está fechada e passou pelo crivo do regulador. Antes, a fintech rodava só sob a licença de pagamentos; agora soma a de instituição financeira, o degrau que permite emprestar recurso próprio, e não apenas mover o dinheiro de terceiros de um lado para o outro.

Da Pagsmile de pagamentos ao crédito PME

A peça-chave da compra é a licença. A Microcash é registrada no Banco Central como uma sociedade de crédito ao microempreendedor e à empresa de pequeno porte (SCMEPP). É exatamente esse tipo de autorização que a Pagsmile precisava para conceder crédito por conta própria, sem depender de um parceiro bancário.

Quem o banco quer alcançar são os pequenos: microempreendedores e PMEs, o público que mais pena para conseguir crédito no sistema tradicional. Os produtos ainda estão no forno, feitos dentro de casa, e vão ao mercado em etapas. A Pagsmile garante que a rotina de quem já é atendido pela Microcash não muda no meio da integração. Quanto pagou pela empresa, não abriu.

“O mercado caminha para modelos cada vez mais integrados. Nossa estratégia é ampliar a proposta de valor da Pagsmile, oferecendo uma infraestrutura financeira que combine eficiência em pagamentos com acesso a crédito para empresas”, afirmou Marlon Tseng, CEO da Pagsmile.

O que muda com a aquisição

Status regulatório de IP para IP + Instituição Financeira (IF)
Aprovação Banco Central do Brasil
Foco do crédito micro e pequenos empreendedores e PMEs
Lançamento gradual, com soluções desenvolvidas internamente
Valor da transação não divulgado

Mudança no escopo regulatório da Pagsmile com a compra da Microcash. Fonte: TI Inside

O movimento não surge do nada. Em entrevista ao podcast Let’s Money, em dezembro de 2025, Marlon Sen (CEO da Pagsmile, que processa mais de US$ 500 milhões por mês globalmente) já descrevia o plano de esticar a infraestrutura da empresa para além dos pagamentos, com camadas de contas e serviços financeiros para os clientes de seus clientes. A compra da Microcash aterrissa essa ambição no crédito regulado.

A jogada também espelha um caminho já trilhado por outras fintechs que avançam no crédito para pequenas empresas e por companhias que buscam novas autorizações junto ao Banco Central. Empilhar crédito sobre uma base de pagamentos já instalada virou rota comum para quem quer aumentar a receita por cliente sem sair do próprio ecossistema.

O que observar

A fronteira entre processar pagamento e conceder crédito está ficando mais fina. Quando plataformas de pagamento passam a deter licenças de crédito, o dado transacional que já tinham vira matéria-prima para decisão de risco, o que pode ampliar o acesso de pequenos negócios ao crédito, mas também concentra mais funções financeiras num único prestador. Vale acompanhar como reguladores tratam esse acúmulo de papéis, se o custo do crédito para o micro e pequeno empreendedor de fato cede, e quantas instituições de pagamento seguem o mesmo caminho de comprar autorizações já existentes em vez de pedir as suas.

Fontes: TI InsideBanco CentralLet’s Money Podcast: Payments in Gaming com Marlon Sen

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