O PicPay voltou a colocar o Brasil no radar do mercado de capitais internacional. O banco digital estreou nesta quinta-feira (29) na Nasdaq após levantar US$ 434 milhões em sua oferta pública inicial (IPO), encerrando um jejum de quatro anos sem aberturas de capital de empresas brasileiras no exterior.
A operação marca um ponto de inflexão para o ecossistema de fintechs do país. As ações foram precificadas a US$ 19, com a venda de 22,86 milhões de papéis, que passam a ser negociados sob o código PICS. A companhia também concedeu aos coordenadores uma opção de lote suplementar por 30 dias, o que pode elevar o volume total da oferta para cerca de US$ 500 milhões.
IPO do PicPay na Nasdaq
Fundado em 2012 e controlado pela J&F Investimentos desde 2015, o PicPay havia ensaiado uma abertura de capital em 2021, mas acabou adiando o plano diante da deterioração do mercado global de tecnologia. O retorno à agenda de IPOs acontece em um contexto diferente, com investidores mais seletivos, foco maior em rentabilidade e crescimento sustentável.
A oferta foi liderada por Citigroup, Bank of America e Royal Bank of Canada, e contou com o apoio de investidores âncora. Entre eles está a Bicycle Capital, fundo de crescimento liderado por ex-executivos do SoftBank, incluindo Marcelo Claure, que se comprometeu a investir US$ 75 milhões na operação.
A estreia do PicPay quebra um hiato iniciado após o IPO do Nubank, que abriu capital na NYSE no fim de 2021. Desde então, empresas brasileiras ficaram fora da janela internacional de ofertas, em meio à alta de juros globais, retração de liquidez e revisão de valuations no setor de tecnologia.








