A Sttart Pay, fintech que usa Pix para liquidar compras de brasileiros no Paraguai, investiu R$ 8 milhões na Exim Corretora de Câmbio e lançou a Sttart Capital, operação de crédito focada em comerciantes paraguaios que vendem para o mercado brasileiro, em um modelo que integra pagamentos, câmbio e crédito na fronteira entre os dois países.
Modelo verticalizado da Sttart Pay
| Camada | Serviço | Função |
|---|---|---|
| Pagamentos | Pix cross-border | Cliente paga em BRL; comerciante recebe em guaranis |
| Câmbio | Exim Corretora (R$ 8 mi) | Consolidação de operações, eFX, redução de intermediários |
| Crédito | Sttart Capital (Paraguai) | Antecipação de recebíveis e capital de giro |
Modelo de negócio da Sttart Pay no comércio de fronteira Brasil-Paraguai. Fonte: Exame
Como o modelo funciona
O comércio de fronteira entre Brasil e Paraguai movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano no setor de bens de consumo, com crescimento de 11,3%, segundo o Banco Central do Paraguai. A Sttart Pay opera há alguns anos nesse mercado com Pix: o cliente paga em reais, a empresa intermediaria e liquida o valor ao comerciante local em uma operação cambial consolidada, reduzindo o custo típico de transferências internacionais individuais. Hoje são mais de 500 pontos comerciais no Paraguai.
“Estamos construindo uma arquitetura cambial que une tecnologia, compliance e execução direta. A integração com a corretora nos permite ganhar eficiência, reduzir dependências e acelerar nossa atuação regional com mais previsibilidade”, disse Carlos Henrique Junior, CEO da Sttart Pay. O investimento de R$ 8 milhões na Exim Corretora de Câmbio, ainda em aprovação pelo Banco Central, prevê capitalização progressiva até 2028 e visa eficiência em eFX. “A partir do momento que eu tenho uma instituição financeira nos dois países, eu dependo de menos atores e ganho velocidade”, afirmou o CEO. A meta é triplicar a receita com a operação de câmbio próprio.
A Sttart Capital, braço de crédito no Paraguai, complementa a estratégia pelo lado da demanda. Com foco em comerciantes de regiões como Ciudad del Este que vendem para brasileiros, a operação oferece antecipação de recebíveis e capital de giro. “Existe um volume bilionário de consumo brasileiro no Paraguai, mas ainda com baixa oferta de crédito para quem está na ponta. Nossa proposta é transformar vendas em liquidez imediata”, disse o CEO.
A empresa avalia expansão para Argentina e Uruguai replicando o mesmo modelo: entrar em regiões com fluxo relevante e baixa infraestrutura financeira. O movimento é semelhante ao de outras fintechs que enxergam o câmbio próprio como vantagem estrutural, a exemplo do PagBrasil, que entrou no câmbio com aval do Banco Central para escalar o Pix Internacional, e da trajetória que o Pix Internacional projeta para a América Latina.








