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Sttart Pay integra Pix ao Paraguai com R$ 8 mi em câmbio

Fintech investe R$ 8 mi em câmbio, lança crédito no Paraguai e usa Pix para integrar comércio de fronteira que movimenta US$ 1 bilhão/ano.

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· 3 min

Atualizado em

A Sttart Pay, fintech que usa Pix para liquidar compras de brasileiros no Paraguai, investiu R$ 8 milhões na Exim Corretora de Câmbio e lançou a Sttart Capital, operação de crédito focada em comerciantes paraguaios que vendem para o mercado brasileiro, em um modelo que integra pagamentos, câmbio e crédito na fronteira entre os dois países.

Modelo verticalizado da Sttart Pay

Camada Serviço Função
Pagamentos Pix cross-border Cliente paga em BRL; comerciante recebe em guaranis
Câmbio Exim Corretora (R$ 8 mi) Consolidação de operações, eFX, redução de intermediários
Crédito Sttart Capital (Paraguai) Antecipação de recebíveis e capital de giro

Modelo de negócio da Sttart Pay no comércio de fronteira Brasil-Paraguai. Fonte: Exame

Como o modelo funciona

O comércio de fronteira entre Brasil e Paraguai movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano no setor de bens de consumo, com crescimento de 11,3%, segundo o Banco Central do Paraguai. A Sttart Pay opera há alguns anos nesse mercado com Pix: o cliente paga em reais, a empresa intermediaria e liquida o valor ao comerciante local em uma operação cambial consolidada, reduzindo o custo típico de transferências internacionais individuais. Hoje são mais de 500 pontos comerciais no Paraguai.

“Estamos construindo uma arquitetura cambial que une tecnologia, compliance e execução direta. A integração com a corretora nos permite ganhar eficiência, reduzir dependências e acelerar nossa atuação regional com mais previsibilidade”, disse Carlos Henrique Junior, CEO da Sttart Pay. O investimento de R$ 8 milhões na Exim Corretora de Câmbio, ainda em aprovação pelo Banco Central, prevê capitalização progressiva até 2028 e visa eficiência em eFX. “A partir do momento que eu tenho uma instituição financeira nos dois países, eu dependo de menos atores e ganho velocidade”, afirmou o CEO. A meta é triplicar a receita com a operação de câmbio próprio.

A Sttart Capital, braço de crédito no Paraguai, complementa a estratégia pelo lado da demanda. Com foco em comerciantes de regiões como Ciudad del Este que vendem para brasileiros, a operação oferece antecipação de recebíveis e capital de giro. “Existe um volume bilionário de consumo brasileiro no Paraguai, mas ainda com baixa oferta de crédito para quem está na ponta. Nossa proposta é transformar vendas em liquidez imediata”, disse o CEO.

A empresa avalia expansão para Argentina e Uruguai replicando o mesmo modelo: entrar em regiões com fluxo relevante e baixa infraestrutura financeira. O movimento é semelhante ao de outras fintechs que enxergam o câmbio próprio como vantagem estrutural, a exemplo do PagBrasil, que entrou no câmbio com aval do Banco Central para escalar o Pix Internacional, e da trajetória que o Pix Internacional projeta para a América Latina.

O que observar

O modelo verticalizado que combina câmbio próprio, pagamentos via Pix e crédito local concentra risco regulatório em múltiplas camadas. A operação cambial depende de aprovação do Banco Central e de capitalização progressiva até 2028, o que significa que a eficiência prometida em eFX ainda não está disponível. Para PSPs que operam em fronteira, o Pix como trilho de pagamento internacional resolve o lado da experiência do usuário, mas a verticalização do câmbio exige licença, capital e prazo, e o intervalo entre o investimento e a operação plena cria janela de execução relevante.

O braço de crédito para comerciantes locais representa um modelo de receita com lógica diferente da intermediação de pagamentos: a receita é desconectada do volume de transações e depende de qualidade de carteira. Se o fluxo de consumo de fronteira cresce a 11,3% ao ano, a demanda por antecipação de recebíveis é estrutural, mas o risco de inadimplência em mercados com alta informalidade tende a ser subestimado em modelos calibrados por crescimento acelerado de volume.

Fontes: ExameLet’s Money

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