A revista Time incluiu Nubank, Mercado Pago e Kalshi entre as dez companhias de finanças mais influentes de 2026. As duas fintechs latino-americanas somaram US$ 28,9 bilhões em receita em 2025, enquanto a Kalshi, plataforma de mercados preditivos cofundada por uma brasileira, consolidou valuation de US$ 22 bilhões nos Estados Unidos.
3 empresas com laço brasileiro na lista Time 2026
| Empresa |
Métrica principal |
Número |
| Nubank |
Clientes totais |
131 milhões |
| Mercado Pago |
Receita 2025 |
US$ 12,6 bi (+46% a.a.) |
| Kalshi |
Valuation |
US$ 22 bilhões |
Dados 2025. Fonte: Time
O peso da América Latina na seleção da Time
A lista abrange dez companhias de quatro regiões: EUA, América Latina, China e África. Entre as americanas estão BlackRock, Block, Chime, Mastercard e Circle Internet Group, enquanto a chinesa Ant Group e a nigeriana PalmPay representam o crescimento fora do eixo transatlântico. A seleção cobre pagamentos, crédito, gestão de ativos e infraestrutura financeira digital.
O Nubank encerrou 2025 com 131 milhões de clientes, base que já havia superado 112 milhões em janeiro, e que corresponde a 62% da população adulta brasileira. A Time destaca que 83% dessa base usa a plataforma ativamente, com receita anual de US$ 16,3 bilhões. O Mercado Pago atingiu 78 milhões de usuários ativos mensais e gerou US$ 12,6 bilhões em receita, alta de 46% em relação a 2024. A publicação diferencia as origens: o Nubank nasceu como banco digital, enquanto o Mercado Pago surgiu dentro de uma plataforma de e-commerce e depois ampliou para serviços financeiros.
Kalshi: reconhecimento global, bloqueio local
A Kalshi foi cofundada por Luana Lopes Lara, engenheira brasileira formada em Ciência da Computação e Matemática pelo MIT que criou a plataforma aos 22 anos. A companhia alcançou 5 milhões de usuários e valuation de US$ 22 bilhões. Em março, a XP lançou prediction markets em parceria com a Kalshi no Brasil, restrito a eventos de natureza econômica autorizados pela CVM.
Três dias antes da publicação da lista da Time, o governo federal bloqueou 27 plataformas de mercados preditivos no país, incluindo a Kalshi. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, justificou a medida com base na regulação do Banco Central, que não enquadra previsões sobre eventos não econômicos como derivativos financeiros autorizados. Luana Lopes Lara disse, segundo a Bloomberg Línea, que a empresa tentará encontrar uma forma de levar o produto ao Brasil. A parceria com a XP permanece ativa para eventos financeiros dentro das exceções regulatórias.
O que observar
A concentração de três empresas com laço brasileiro entre as dez mais influentes em finanças do mundo indica que fintechs digitais nativas em mercados emergentes deixaram de ser casos isolados e passaram a ser referência de modelo para o setor global. A pergunta que fica é se essa visibilidade internacional influi sobre o ritmo de adequação regulatória doméstica em categorias de produto ainda sem enquadramento legal claro.
O caso dos mercados preditivos é sintomático: a mesma categoria de produto que conquista reconhecimento global como inovação financeira pode estar bloqueada regulatoriamente no país de origem de seus fundadores. Vale acompanhar como reguladores e operadores financeiros locais calibram a linha entre instrumento financeiro legítimo e aposta não autorizada, num cenário em que plataformas globais já operam em regime de exceção por meio de parceiros locais.
Fontes: Valor Econômico • Time • Bloomberg Línea • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money