A Ascenty vai aportar US$ 1,2 bilhão em quatro novos data centers de alta densidade no estado de São Paulo, com 150 MW já integralmente contratados por hyperscalers globais. O Sumaré 3, cujas obras começaram em março, será a primeira estrutura na América Latina projetada desde a concepção original para cargas de trabalho nativas de inteligência artificial.
Os quatro projetos Ascenty em São Paulo
| Projeto |
Capacidade |
Entrega |
Foco |
| Sumaré 3 |
90 MW (expandível a 180 MW) |
Q3 2027 |
100% IA, liquid cooling |
| Vinhedo 3 |
90 MW |
Em desenvolvimento |
100% IA |
| Vinhedo 4 |
45 MW |
Em desenvolvimento |
IA |
| Vinhedo 5 |
45 MW |
Em desenvolvimento |
IA |
Expansão Ascenty em São Paulo com US$ 1,2 bi. Fonte: Bloomberg Línea
Sumaré 3: alta densidade e liquid cooling
“Esse que estamos fazendo no Sumaré 3 é um projeto único, com 100% IA e 100% liquid cooling. Não existe isso hoje no Brasil”, afirmou Christopher Torto, fundador e CEO da Ascenty, à Bloomberg Línea. O projeto tem 48 mil m² de área construída e capacidade inicial de 90 MW, com previsão de expansão para mais 90 MW. A diferença central está na densidade de energia: enquanto racks de cloud convencionais consomem cerca de 8 kW, os racks do Sumaré 3 partirão de 60 kW e poderão chegar a 1 MW por rack. O resfriamento líquido direto no chip, em circuito fechado, reduz ou elimina o consumo de água na operação.
Os 150 MW totais dos novos contratos já foram 100% vendidos para hyperscalers globais antes do anúncio público, prática histórica da empresa. “Nós nunca anunciamos data center sem ter cliente e também nunca montamos data center sem ter cliente, porque cada um demanda técnicas diferentes”, disse Torto. Os novos projetos somam-se a cerca de US$ 300 milhões já anunciados anteriormente para a expansão das infraestruturas atuais.
Brasil como polo global de IA
Torto estimou que o impacto econômico total do projeto chegará a US$ 6 bilhões, com base num efeito multiplicador em que cada dólar investido em estrutura física é seguido por cerca de quatro dólares dos clientes em equipamentos de alto desempenho. Ele projeta que o Brasil responderá por 80% da demanda de IA na América Latina, apoiado numa matriz elétrica majoritariamente limpa e num custo energético competitivo frente a EUA e Europa. “Se o Redata passa, eu acho que o Brasil poderia ter uma explosão de demanda maior”, afirmou. O país já acumula outros movimentos de infraestrutura de IA, como o projeto AI City no Rio de Janeiro.
O maior obstáculo ao crescimento não é capital nem chips: é gente. “O maior gargalo atual não é dinheiro, é talento”, disse Torto. Engenheiros elétricos e mecânicos para operar data centers de altíssima densidade são escassos. A Ascenty vai contratar mais 150 pessoas (+15% no quadro) e já desenvolve programas internos de capacitação com duração de 18 a 24 meses. Do lado de insumos, o prazo de entrega de um data center saltou de nove meses para 12 a 18 meses por conta da escassez de geradores comerciais e equipamentos de subestações elétricas.
O que observar
A aprovação do Redata é o principal gatilho regulatório a acompanhar. Um regime de incentivos fiscais para data centers pode destravar um segundo ciclo de investimentos além do já anunciado, acelerando a diferença competitiva da matriz energética brasileira frente a mercados onde energia limpa é mais cara e escassa. A capacidade do país de transformar essa vantagem em polo sustentado depende também de como o setor vai resolver o gargalo de talento em escala, tema que une concorrentes num esforço coletivo incomum no mercado de tecnologia.
Vale monitorar também o impacto da demanda de energia dos novos data centers sobre a rede elétrica regional em São Paulo, e se os projetos Vinhedo 4 e Vinhedo 5 seguirão o modelo de liquid cooling integral do Sumaré 3 ou adotarão arquiteturas híbridas conforme avança a maturidade dos chips de IA de próxima geração.
Fontes: Bloomberg Línea • IT Forum • Let’s Money • Let’s Money