O BNP Paribas e a Mistral AI renovaram sua parceria por mais três anos para desenvolver um modelo de cibersegurança com IA como alternativa europeia ao Mythos da Anthropic, ferramenta que encontra e explora vulnerabilidades de software em escala sem precedentes e à qual nenhum banco europeu tem acesso.
IA e cibersegurança bancária: três iniciativas
| Iniciativa | Modelo | Acesso |
|---|---|---|
| Anthropic | Mythos | ~40-50 orgs, predominantemente EUA; nenhum banco europeu |
| OpenAI | Daybreak | Lançado em 2026; foco em defesa contínua de software |
| BNP Paribas + Mistral | Em desenvolvimento | Alternativa soberana europeia, com acesso para bancos do bloco |
Iniciativas de IA voltadas à cibersegurança bancária em 2026. Fonte: Finextra
O Mythos e a assimetria de acesso
O Mythos, lançado pela Anthropic no início de 2026, é capaz de identificar e explorar vulnerabilidades de segurança em velocidade de máquina. Em testes controlados, o modelo produziu exploits funcionais na primeira tentativa em mais de 83% dos casos, encontrando falhas em sistemas operacionais, navegadores e infraestrutura crítica. O acesso está racionado a cerca de 40 a 50 organizações, em grande parte empresas de tecnologia americanas, parceiros de segurança nacional dos EUA e uma seleta lista de bancos como JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Citigroup. Nenhum banco europeu está na lista.
Esse cenário é o pano de fundo direto do acordo entre BNP Paribas e Mistral. Marc Camus, diretor de TI do BNP Paribas, disse a jornalistas durante coletiva em Paris: “O foco tem sido muito em ‘o Mythos é ou não é acessível’, mas não podemos esquecer que existem outros modelos de outras empresas disponíveis.” O banco, maior instituição financeira da zona do euro em ativos, é um dos vários bancos europeus que trabalham com a Mistral para construir um modelo de cibersegurança próprio como contrapartida ao Mythos. A OpenAI também entrou no segmento com o Daybreak, sua iniciativa de defesa cibernética, com o objetivo, nas palavras do CEO Sam Altman, de “proteger software de forma contínua”.
A parceria BNP-Mistral tem histórico desde setembro de 2023, quando o banco começou a testar os modelos da startup no braço de mercados globais. Um acordo para todo o grupo foi formalizado em julho de 2024. O novo contrato prevê que as equipes de IA aplicada e engenharia de ambas as empresas trabalhem de forma mais integrada para desenvolver soluções generativas adaptadas aos requisitos operacionais e regulatórios do banco. O HSBC também firmou acordo com a Mistral em dezembro de 2025 para expansão do uso de IA, o que posiciona a startup francesa como referência crescente no segmento bancário europeu. Já a Anthropic vinha se movendo em direção ao mercado institucional americano: o banco retomou negociações com o Pentágono em março de 2026 após período de atrito com o governo Trump por restrições de IA.
As áreas de aplicação imediata do acordo incluem simplificação do acesso a conhecimento e pesquisa internos, implantação de um assistente de IA para funcionários e ferramentas locais de IA para processos sensíveis como o KYC (Conheça Seu Cliente). “Essa parceria com a Mistral AI combina modelos avançados de ponta com a experiência coletiva de nossas equipes, permitindo-nos projetar, implementar e ampliar casos de uso operacionais em todo o BNP Paribas, onde eles podem gerar impacto e valor significativos”, afirmou Sophie Heller, diretora de transformação da CPBS do BNP Paribas.








