O Brasil está entre os mercados mais ativos do mundo em interações com assistentes de inteligência artificial, superando significativamente as médias globais. O dado vem de estudo da Hostinger que analisou 66,7 bilhões de requisições de web crawlers em 5 milhões de sites, mapeando como diferentes mercados interagem com ferramentas de IA. O resultado converge com pesquisa da Ipsos/Google em 21 países: 66% dos respondentes globais usaram ferramentas de IA nos últimos 12 meses, alta de 18% ante 2024 e 28% ante 2023.
O que os dados mostram
Adoção de IA, Brasil no contexto global
📊 Base Hostinger: 66,7 bilhões de requisições em 5 milhões de sites
🌐 Pesquisa Ipsos/Google: ~21.000 adultos em 21 países
🇧🇷 Brasil: 38,2% do mercado de IA da América Latina
📈 Uso global de IA (12 meses): 66%, alta de 28% vs 2023
💼 Uso para trabalho: 74% dos usuários de IA
📚 Uso para aprendizado: 74% (principal motivação pela 1ª vez)
Mercado brasileiro de IA: US$ 17,8 bilhões em 2025, projeção de US$ 99,8 bilhões em 2033 (Grand View Research)
A pesquisa da Hostinger rastreou requisições feitas por crawlers de assistentes de IA, como os usados por ferramentas de busca generativa e chatbots. A frequência dessas requisições serve como proxy para o nível de adoção e uso ativo de IA por parte dos usuários de cada mercado. A pesquisa Ipsos/Google complementa o quadro: pela primeira vez, aprendizado ultrapassou entretenimento como principal motivação para uso de IA.
Por que o Brasil lidera na região
A adoção acelerada de IA no Brasil não é surpresa isolada. O país respondeu por 38,2% do mercado de IA da América Latina em 2024, mais que o dobro do México, segundo colocado com 25,4%. O Pix atingiu 42 bilhões de transações em 2024 com 150 milhões de usuários registrados, o Open Finance brasileiro é um dos mais avançados do mundo, e plataformas como ChatGPT, Gemini e Copilot ganharam tração rápida entre profissionais e consumidores.
O Plano Brasileiro de IA (PBIA 2024-28) aloca R$ 23 bilhões em quatro anos, sinalizando comprometimento governamental. Pesquisa da Bain & Company aponta que 67% das empresas brasileiras consideram IA prioridade estratégica em 2025, um salto em relação aos 12% registrados em 2024. O mercado brasileiro de IA gerou receita de US$ 17,8 bilhões em 2025, com projeção de US$ 99,8 bilhões em 2033 e crescimento anual composto de 23%.
O estudo reforça uma tendência que o mercado fintech acompanha de perto: brasileiros estão usando assistentes de IA como porta de entrada principal para a internet, substituindo em parte a navegação tradicional. Iniciativas como a Perplexity, que promete acelerar trabalhos corporativos com agentes autônomos, ilustram essa mudança de comportamento que impacta diretamente estratégias de distribuição de produtos financeiros, atendimento ao cliente e marketing digital.
O que observar
A pergunta que fica é como esse comportamento de uso intenso de IA vai se traduzir em impacto real para o setor financeiro. Se brasileiros já usam assistentes de IA acima da média global, as fintechs e bancos que integrarem suas interfaces com esses assistentes primeiro podem capturar um canal de distribuição relevante.
Vale acompanhar se as instituições financeiras brasileiras vão tratar assistentes de IA apenas como canal de atendimento (chatbots internos) ou se vão se posicionar como fornecedores de dados para assistentes de terceiros. A segunda estratégia, mais arriscada, pode gerar visibilidade em escala. A primeira, mais conservadora, mantém o controle da experiência. A escolha entre as duas define posicionamentos de mercado distintos.
Fontes: