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Cloudera: 95% das empresas adiam projetos de IA

Pesquisa da Cloudera com 1.500 arquitetos de dados, incluindo 100 no Brasil, mostra que 95% adiaram projetos de IA por governança, compliance ou regulação.

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Atualizado em

Foto: Shutterstock

Enquanto 77% das organizações já utilizam inteligência artificial (IA) ativamente, quase todas (95%) adiaram ou cancelaram iniciativas de IA no último ano devido a desafios de governança de dados, compliance ou regulamentação, segundo a pesquisa global The Great AI Re-Architecture, da Cloudera. Para superar esses desafios, 72% afirmam que sua arquitetura de dados atual precisa de uma reformulação significativa para atender às futuras exigências de IA.

O levantamento foi conduzido pela Wakefield Research com 1.500 arquitetos empresariais, líderes de infraestrutura em nuvem e arquitetos de dados em nove mercados, incluindo o Brasil (100 entrevistados), entre 5 e 22 de junho de 2026, em empresas com no mínimo mil funcionários na maioria dos países. Juntos, os dados evidenciam o que a Cloudera chama de “A Grande Rearquitetura de IA”, a transição em massa de arquiteturas de dados legados para ambientes híbridos.

O que a pesquisa da Cloudera encontrou

Resultado Entrevistados
Já utilizam IA ativamente 77%
Adiaram ou cancelaram iniciativas de IA no último ano 95%
Arquitetura de dados precisa de reformulação significativa 72%
Custos de infraestrutura subiram com cargas de IA 84%
Moveram workloads de IA da nuvem pública para nuvem privada ou infraestrutura própria 66%
Adiaram ou cancelaram mais de seis projetos de IA em 12 meses 55%

Pesquisa com 1.500 profissionais em nove mercados, junho de 2026. Fonte: Cloudera

A IA pressiona a infraestrutura corporativa

“Esta era atual da IA está forçando as organizações a repensarem as bases de sua infraestrutura tecnológica”, disse Sergio Gago, diretor de tecnologia (CTO) da Cloudera. “Muitas empresas estão descobrindo que as arquiteturas construídas para análises tradicionais não foram projetadas para a escala, governança e flexibilidade que a IA exige hoje. O sucesso dependerá de construir uma base de dados que dê às organizações liberdade para rodar IA aonde fizer mais sentido, sem comprometer controle ou segurança.”

Segundo o relatório, a inteligência artificial já superou os projetos-piloto isolados e está incorporada nas operações corporativas. Três quartos (75%) dos entrevistados afirmam que as integrações de IA mudaram as práticas de armazenamento e arquitetura de dados de suas organizações, enquanto 84% relatam aumento nos custos de infraestrutura impulsionado pelas cargas de trabalho de IA.

Governança como infraestrutura crítica

Quase três quartos (73%) dos entrevistados dizem que a IA tornou a governança de dados mais complexa, e mais da metade (55%) relata ter adiado ou cancelado mais de seis projetos de IA nos últimos 12 meses devido a desafios de governança, compliance ou regulamentação. No início de 2026, o Data Readiness Index da Cloudera já havia constatado que 75% das organizações disseram que a IA está expondo as limitações de seus processos de governança legados.

O desafio é agravado pela dispersão dos dados: quase todos os entrevistados (97%) relatam mover dados entre ambientes pelo menos mensalmente, o que torna essencial, segundo a empresa, uma governança consistente entre nuvem pública, nuvem privada, ambientes locais e edge para escalar a IA com segurança.

Arquiteturas híbridas como novo padrão

Dois terços (66%) dos entrevistados afirmam ter movido workloads de IA de ambientes de nuvem pública de volta para nuvem privada ou infraestrutura própria no último ano. Um quarto (25%) afirma que planeja priorizar uma arquitetura híbrida nos próximos dois anos, e as organizações estão investindo em nuvem, ambientes locais, edge e híbridos em vez de depender de um único modelo de implantação.

No setor financeiro brasileiro, o movimento aparece em decisões recentes de infraestrutura: em maio de 2026, o Bradesco manteve o mainframe no core bancário ao adotar IA, e em agosto de 2026 a Elo cortou 30% do custo de backup ao migrar para a nuvem. Os temas da pesquisa serão discutidos na Cloudera EVOLVE São Paulo.

O que observar

O levantamento interessa a quem lidera dados e infraestrutura em bancos, fintechs e seguradoras, onde compliance e regulamentação pesam mais do que na média das empresas. O ponto a acompanhar é a proporção de projetos adiados por governança, que a própria pesquisa mede em mais da metade das organizações, e o movimento de repatriação de cargas de IA para ambientes privados. O recorte brasileiro, com 100 entrevistados, não foi divulgado separadamente.

Fontes: Cloudera: The Great AI Re-ArchitectureCloudera: Data Readiness IndexLet’s Money: Bradesco mantém mainframe no core bancário com IALet’s Money: Elo corta 30% do custo de backup ao migrar para nuvem

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