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CEO de banco usa clone de IA em call sem ninguém perceber

Customers Bank usou clone de IA do CEO Sam Sidhu por 30 min em call de resultados sem avisar analistas. Banco tem parceria com a OpenAI.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação/Customers Bank/Fortune

O Customers Bank usou um clone de IA do CEO Sam Sidhu para conduzir os primeiros 30 minutos de uma call de resultados do primeiro trimestre, revelando a iniciativa apenas ao final, como demonstração da transformação digital em curso no banco com US$ 25,9 bilhões em ativos.

Customers Bank e IA: os números

Item Dado
Ativos do banco US$ 25,9 bilhões
Duração do clone na call 30 minutos (1T 2026)
Parceria com OpenAI Desde 2023 (ChatGPT Enterprise)
Funcionários usando IA 75%
Participantes em masterclass de IA 600 colaboradores
Contrato com OpenAI Plurianual, com engenheiros no banco

Dados do Customers Bank sobre a parceria com OpenAI. Fonte: Infomoney

Clone, OpenAI e engenheiros alocados dentro do banco

“As observações que vocês ouviram hoje em meu nome foram apresentadas pelo meu clone de IA, não lidas por mim”, disse Sam Sidhu durante a teleconferência, segundo a CNBC. O objetivo declarado era chamar atenção para a transformação em curso na instituição. O banco firmou um contrato plurianual com a OpenAI para que engenheiros da empresa sejam alocados internamente e implementem agentes de IA nas operações de banco comercial, tornando-o um dos “primeiros bancos regionais habilitados por IA nos Estados Unidos”, segundo comunicado do Customers Bank.

A parceria com a OpenAI começou em 2023, com a adoção do ChatGPT Enterprise, e 75% dos funcionários já utilizam ferramentas baseadas na tecnologia. Cerca de 600 colaboradores participaram recentemente de uma masterclass sobre IA. “Estamos investindo fortemente para garantir que todos os membros da nossa equipe tenham acesso a ferramentas de IA e ao treinamento necessário para usá-las com confiança”, afirmou Sidhu à Fortune. “O objetivo é eliminar tarefas repetitivas e administrativas para que as pessoas possam se concentrar no que fazem de melhor.”

A tendência de clones executivos no setor financeiro

Sidhu não está sozinho. No início de 2025, Sebastian Siemiatkowski, cofundador e CEO da Klarna, usou um clone de IA em vídeo sobre os resultados do primeiro trimestre da empresa. A Klarna vem integrando IA de forma agressiva em suas operações, e o CEO previu que a força de trabalho da companhia cairá de 3.000 funcionários para menos de 2.000 até 2030 em função dos ganhos de eficiência com IA. Eric Yuan, CEO do Zoom, também usou um dublê de IA em call de resultados e manifestou interesse em criar avatares para que funcionários possam delegar trabalho repetitivo ao seu próprio clone. A Meta criou um clone do CEO Mark Zuckerberg para interação com funcionários, treinado com suas opiniões sobre estratégia e tom de voz.

O padrão comum é usar calls de resultados como palco de demonstração, transformando um evento de comunicação financeira em vitrine da capacidade da empresa de adotar IA. A adoção de IA como prioridade estratégica tem levado grandes grupos a reduzir quadros de pessoal, e a gestão de reuniões e comunicação interna é uma das próximas fronteiras da automação.

O que observar

O uso de clones em calls de resultados levanta uma questão regulatória ainda não resolvida: teleconferências de resultados são comunicações financeiras formais, sujeitas a regras de divulgação. A distinção entre o executivo e sua réplica de IA é relevante para a responsabilidade sobre o conteúdo. Revelar o clone ao final, e não antes, cria um precedente ambíguo sobre o que constitui disclosure adequado para investidores e analistas.

O segundo ângulo é a velocidade de compressão de quadros que a tendência sinaliza. Quando líderes de instituições financeiras usam clones em eventos públicos e projetam reduções de força de trabalho de 30% em menos de cinco anos, a pressão sobre reguladores de trabalho e sobre sindicatos do setor financeiro aumenta na mesma proporção. O debate ainda está nos estágios iniciais, mas o caso dos bancos regionais americanos é um dos primeiros a criar evidência pública concreta.

Fontes: InfomoneyLet’s MoneyLet’s Money

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