O Gartner apresentou um retrato desconfortável da corrida corporativa por inteligência artificial: só um em cada cinco projetos de IA gera retorno financeiro positivo, mesmo com 58% dos executivos já dizendo perceber algum ganho com a tecnologia. Os dados foram divulgados na Conferência Gartner CIO & IT Executive 2026, em São Paulo.
IA nas empresas, segundo o Gartner
| Indicador |
Número |
| Iniciativas de IA com ROI positivo |
1 em cada 5 |
| Executivos que já veem algum valor |
58% |
| CIOs: risco cresce mais que o valor |
86% |
| Risco tecnológico tratado de forma proativa |
25% |
| Crescimento nos casos de uso (12 meses) |
400% |
Dados do Gartner, Conferência CIO & IT Executive 2026, em São Paulo. Fonte: Suno
Adoção de projetos de IA cresce, mas o retorno não acompanha
O contraste entre volume e resultado é o centro do diagnóstico. O número de casos de uso saltou 400% em doze meses, um avanço que acompanha bancos que já rodam mais de mil modelos de IA em produção. A entrega de valor, porém, ficou para trás.
Parte do problema aparece na qualidade do que a tecnologia produz. Segundo o Gartner, 40% dos profissionais relataram já ter recebido material feito por IA ainda sem condições de uso. O ritmo de adoção convive, ao mesmo tempo, com casos concretos de ganho de produtividade com assistentes de IA, o que ajuda a explicar por que 58% dos executivos enxergam algum valor mesmo diante do baixo retorno médio.
Risco corre mais rápido que o valor gerado
Para 86% dos CIOs ouvidos pela consultoria, o risco ligado à tecnologia avança em ritmo superior ao do valor entregue dentro das organizações. E somente 25% dizem incorporar a avaliação desse risco às principais decisões de negócio de forma antecipada, um descompasso que se soma ao alerta de que IA mal configurada pode derrubar infraestrutura até 2028.
A resposta sugerida passa por dar mais peso aos CIOs nas decisões corporativas. A consultoria propôs criar uma estrutura batizada de “AI Central Bank”, com poder para bancar as iniciativas, ditar as regras de governança, coordenar a integração entre sistemas e assumir a responsabilidade por cada projeto.
O que observar
O ponto sensível é a maturidade. Companhias ainda no início da jornada precisam colocar dinheiro em capacitação de equipes, criação de repertório técnico e montagem de estrutura antes de cobrar retorno, e a pergunta é se os conselhos vão sustentar esse investimento sem ROI imediato ou se vão cortar as iniciativas na primeira revisão de orçamento. Para as equipes de tecnologia, o teste prático é transformar governança em processo, não em discurso: enquanto três em cada quatro CIOs deixam a avaliação de risco fora das grandes decisões, o gargalo de valor tende a persistir.
Vale acompanhar também o efeito sobre o quadro de pessoal. A consultoria projeta que 30% dos profissionais desligados por causa da adoção da tecnologia terão de voltar ao trabalho até 2029, com frequência por um salário maior. Se a leitura se confirmar, o corte apressado de posições pode sair mais caro do que manter a equipe e ajustar o uso da IA com calma.
Fontes: Suno • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money