Ir para o conteúdo

Inteligência ArtificialIA · B3

IA entra nos apps e vai onde o assessor não está

Pesquisa Empiricus com 30 gestores: nenhum em estágio experimental; bancos e plataformas aceleram IA para o investidor pessoa física.

por

· 2 min

Atualizado em

Shutterstock

A inteligência artificial deixou de ser experimental no mercado financeiro brasileiro: pesquisa da Empiricus Research com 30 gestores de multimercados (mais de R$ 160 bilhões em patrimônio líquido) não encontrou nenhum em fase de teste, enquanto bancos e plataformas aceleram o lançamento de assistentes para o investidor pessoa física.

IA para o investidor pessoa física: o ecossistema

Instituição Ferramenta Funções principais
B3 Área do Investidor Análise de empresas, recomendações compra/venda
Itaú Assistente IA (2025) Dúvidas, recomendações, aplicações em renda fixa
Inter Seven Reinvestimentos automáticos, extrato, consórcio
BTG Pactual Minhas Finanças Open Finance: consolidação, categorização, previsão

Ferramentas de IA para investidor pessoa física no Brasil. Fonte: Estadão

De ferramenta experimental a padrão de mercado

A pesquisa da Empiricus foi realizada entre 4 e 8 de maio com 30 gestores de multimercados. Nenhuma resposta indicou ausência de uso ou estágio apenas experimental. O dado contrasta com a narrativa de adoção lenta que ainda circula no setor: a IA já opera em análise de dados, relatórios, monitoramento de ativos em redes sociais e suporte a decisões. No varejo, o movimento ganhou velocidade. Na B3, a Área do Investidor já oferece análise de empresas abertas com recomendações de compra ou venda. O Itaú vem investindo em tecnologia avançada para investimentos desde 2025, com assistente que responde dúvidas, recomenda produtos e aplica em renda fixa pelo chat. Inter e BTG Pactual seguiram com ferramentas próprias que adicionam funções transacionais e integração com Open Finance.

Para Diego Ramiro, presidente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), o cenário não ameaça o profissional: muda o foco. “Os assessores que enxergarem a IA como uma ferramenta de apoio, e não como uma ameaça, terão enorme vantagem competitiva nos próximos anos”, afirmou. A lógica é operacional: tarefas transacionais ficam com a IA, enquanto o profissional migra para o trabalho consultivo. O PicPay seguiu caminho similar ao agregar investimentos via Open Finance, sinalizando que a tendência não é exclusiva dos grandes bancos.

O que observar

A proliferação de assistentes de IA para pessoa física cria uma divisão de mercado que vale acompanhar: no varejo, onde o atendimento profissional hoje é escasso ou inexistente, a IA pode ser o primeiro contato estruturado com planejamento financeiro; na alta renda, a tendência é de copiloto. Ferramentas que não recebem contexto completo do investidor (objetivo, horizonte, situação fiscal) entregam recomendações genéricas, o que significa que a qualidade da consulta ao assistente importa tanto quanto a qualidade do modelo.

A questão regulatória é o fator menos discutido: obrigações fiduciárias e responsabilidade sobre recomendações ainda residem na esfera humana, o que limita estruturalmente o quanto a IA pode operar de forma autônoma em investimentos. Se isso mudar, o mapa do setor muda junto. Por ora, o modelo que emerge é de ampliação do alcance, não de substituição.

Fontes: EstadãoTI InsideLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasIA
Ver a editoria

Mais artigos de IA

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.