Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e ex-diretor de IA da Tesla, se junta à Anthropic para liderar uma equipe dedicada a usar o Claude para acelerar pesquisas de pré-treinamento, a fase responsável por desenvolver o conhecimento e as capacidades centrais de um modelo de linguagem.
Trajetória de Karpathy: da OpenAI à Anthropic
| Período |
Organização |
Papel |
| 2015–2017 |
OpenAI |
Cofundador |
| 2017–2022 |
Tesla |
Diretor de IA (Autopilot) |
| 2022–2023 |
OpenAI |
Pesquisador (retorno) |
| 2024–2026 |
Eureka Labs |
Fundador |
| 2026 em diante |
Anthropic |
Pesquisa de pré-treinamento |
Fonte: Startups.com.br
Usar Claude para acelerar o próprio Claude
A função de Karpathy na Anthropic é liderar pesquisa de pré-treinamento, a etapa da construção de um modelo de IA que define suas capacidades e conhecimento centrais antes de qualquer ajuste fino. É também a fase mais intensiva em recursos computacionais e a que mais consome tempo dos laboratórios de fronteira. A tarefa específica é usar o Claude atual para encontrar formas de tornar esse processo mais eficiente na próxima geração do modelo: uma lógica em que o modelo contribui para otimizar seu próprio ciclo de desenvolvimento.
A escolha reúne trajetórias distintas: pesquisa de pré-treinamento desde a fundação da OpenAI e larga experiência em visão computacional em escala industrial. Elon Musk o descreveu, em e-mail exibido no recente julgamento entre Musk e Sam Altman, como “provavelmente o segundo melhor do mundo em visão computacional”, atrás apenas de Ilya Sutskever. O julgamento, que envolvia disputas sobre a missão original da OpenAI, foi encerrado em favor de Altman. A Anthropic avança em direção a valuation de US$ 350 bilhões e tem reforçado simultaneamente frentes de talentos e de infraestrutura computacional.
Movimentos de talentos e a Eureka Labs em paralelo
A chegada de Karpathy não é um movimento isolado. A Anthropic também contratou recentemente Ross Nordeen, cofundador da xAI, e firmou acordo com a SpaceX para uso da capacidade computacional do datacenter Colossus 1, da xAI. O conjunto de movimentos aponta uma estratégia deliberada de atrair pessoas e infraestrutura ligadas ao ecossistema de Musk, ao mesmo tempo em que concorre com a OpenAI pela liderança em modelos de fronteira. A OpenAI recebeu aporte de US$ 40 bilhões do SoftBank, consolidando uma escala de investimento que pressiona os concorrentes a acelerarem seus ciclos de desenvolvimento.
Karpathy garantiu em nota à Reuters que a mudança não encerra a Eureka Labs, sua deeptech de educação que tem como tese construir cursos integralmente criados e ministrados por IA. “Permaneço bastante apaixonado por educação e tenho planos de continuar o trabalho (da Eureka Labs) daqui a algum tempo”, disse o pesquisador. Karpathy cofundou a OpenAI em 2015, foi recrutado pela Tesla em 2017 para dirigir a equipe de visão computacional do Autopilot, deixou a Tesla em 2022, retornou brevemente à OpenAI e lançou a Eureka Labs em 2024.
O que observar
A aposta de usar um modelo de linguagem para acelerar o desenvolvimento da próxima geração é um dos experimentos mais relevantes em andamento nos laboratórios de IA de fronteira. Se funcionar em escala, o impacto sobre o ritmo de lançamento de novos modelos seria significativo: ciclos de pré-treinamento mais curtos ou mais eficientes significam menos compute por geração, alterando a equação de custo para todos os competidores do setor.
O outro ponto a acompanhar é a dinâmica entre a deeptech de educação do pesquisador e o trabalho de pesquisa de fronteira. A combinação de uma empresa de IA educacional com um papel em modelos de fronteira é incomum. Vale observar se a produção de pesquisa e os resultados da deeptech caminham de forma integrada ou se a pressão do trabalho de fronteira absorve a dedicação por completo. No plano mais amplo, a intensidade da disputa por talentos entre os principais laboratórios indica que as apostas sobre quem vai definir a arquitetura dos modelos da próxima geração ainda estão em aberto.
Fontes: Startups.com.br • TechCrunch • Let’s Money • Let’s Money