O BNDES aprovou R$ 300 milhões para a Magalu Cloud pelo programa BNDES Mais Inovação, numa operação que o banco classifica como inédita: o primeiro apoio do banco de fomento à expansão de uma plataforma brasileira de computação em nuvem. Os recursos abrem o sexto data center da empresa, em Fortaleza (CE), e ampliam o hub de pesquisa e desenvolvimento em São Carlos (SP).
Expansão da Magalu Cloud com o financiamento do BNDES
| Iniciativa |
Detalhe |
| Novo data center |
Fortaleza (CE): 6º da empresa |
| Infraestrutura atual |
5 DCs: 3 na Grande SP, 2 em Fortaleza |
| P&D em São Carlos (SP) |
+170 profissionais (total: 375 em P&D até 2028) |
| Itens de investimento |
Processadores, equipamentos de rede, contratações |
Expansão aprovada em maio de 2026. Fonte: TI Inside
A aposta do BNDES em nuvem nacional
O financiamento enquadra-se no BNDES Mais Inovação, programa voltado a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em setores estratégicos. “O financiamento inédito do BNDES a um projeto de ampliação de uma empresa nacional de armazenamento de dados em nuvem fortalece e desenvolve tecnologias em segmentos estratégicos para a soberania digital e tecnológica”, disse Aloizio Mercadante, presidente do BNDES. O banco justifica a operação pelo crescimento acelerado do mercado, impulsionado pela adoção de IA generativa e pela modernização de aplicações corporativas.
A tese de soberania digital ganha força num contexto em que legislações internacionais ampliam o acesso de governos estrangeiros a dados hospedados por provedores globais. Por operar com infraestrutura sediada no Brasil, transações em reais e serviços sob a legislação brasileira, a plataforma se posiciona como alternativa às clouds tradicionais operadas em dólar. Em 2024, o BNDES já havia financiado a criação de uma plataforma nacional de IA para o setor financeiro, sinal de que a agenda de soberania tecnológica ganhou tração dentro do banco.
Uma nuvem nacional num mercado de gigantes
O mercado brasileiro de cloud computing pode crescer de US$ 20 bilhões em 2024 para cerca de US$ 80 bilhões até 2032, impulsionado pela expansão da IA e pela digitalização acelerada das empresas. Nesse mercado, as clouds globais ainda dominam amplamente: no Brasil, AWS e Azure respondem juntas por mais de 80% do share. Os provedores nacionais, por outro lado, projeta faturamento de R$ 3 bilhões em 2025, crescimento de 39% sobre 2024, segundo dados da AbraCloud.
A estratégia da Magalu Cloud aposta na vantagem cambial: por cobrar em reais, torna-se mais previsível para empresas com receitas em moeda local. A plataforma foi desenvolvida internamente no LuizaLabs a partir de 2020 e conta hoje com demanda crescente de setores como o financeiro, que busca infraestrutura moderna para cargas de IA generativa. Cerca de 40% da operação digital do próprio Magalu já roda na plataforma.
O que observar
O teste real para o financiamento do BNDES será a capacidade de conversão: ampliar data centers e equipe de P&D não equivale automaticamente a ganho de market share. O setor financeiro regulado, que demanda certificações específicas de segurança e compliance, é um dos públicos mais relevantes para clouds nacionais, mas também o mais exigente em SLA e auditoria. Vale acompanhar como o novo data center em Fortaleza será posicionado: se como expansão de capacidade geral ou como estrutura direcionada a segmentos regulados, o que moldaria a velocidade de adoção.
O financiamento público em infraestrutura de cloud cria precedente relevante. Se o modelo provar viabilidade comercial e não apenas política, abre caminho para outros provedores nacionais buscarem o mesmo programa. Se depender de contratos com o setor público para sustentar a operação, a avaliação de custo-benefício do aporte do BNDES exigirá critérios além do retorno tecnológico.
Fontes: TI Inside • Convergência Digital • Let’s Money