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Open Finance: 10 bi de chamadas de API abrem espaço para IA

Líderes setoriais apontam IA como próxima camada do Open Finance, com 750 instituições e quase 10 bi de chamadas de API semanais.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Steve Johnson na Unsplash

O sistema de Open Finance do Brasil atingiu escala incompatível com modelos de análise tradicionais: são 750 instituições participantes, mais de 100 milhões de consentimentos ativos e quase 10 bilhões de chamadas de API por semana, números que colocam a inteligência artificial como próxima camada natural do sistema, segundo líderes de associações setoriais no Fórum de Bem-Estar Financeiro do Sicredi.

Open Finance do Brasil: escala do sistema em 2026

Indicador Dado
Instituições participantes 750
Consentimentos ativos Mais de 100 milhões
Chamadas de API por semana Quase 10 bilhões

Dados apresentados por Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance, no Fórum de Bem-Estar Financeiro do Sicredi. Fonte: Valor Econômico

A escala que inviabiliza os modelos tradicionais

Ana Carla Abrão, diretora-presidente da Associação Open Finance, descreveu o sistema como o maior do mundo em funcionalidade: “Nosso open finance é o maior do mundo, tem funcionalidades que não existem em nenhum outro país”, disse. Leandro Vilain, presidente da ABBC, traduziu o que esse volume significa na prática: “Cada chamada de API é como se fosse uma ligação telefônica, onde você obtém diversos dados. São 10 bilhões de chamadas por semana, então dá para imaginar o volume de informações.

Era impossível trabalhar essa quantidade de dados com modelos tradicionais.” O argumento é direto: o Open Finance gerou dados que só ferramentas de IA conseguem transformar em serviço útil ao consumidor. Uma pesquisa recente mostrou que, apesar do potencial para reduzir juros e organizar contas, apenas 37% dos brasileiros usam o Open Finance, distância que sistemas baseados em IA podem ajudar a encurtar.

Agentes de IA como camada de uso

Diego Perez, então presidente da ABFintechs, apontou que agentes de IA no comércio dependem diretamente do Open Finance. O exemplo que usou é concreto: um consumidor vê uma oferta e pergunta à IA se a compra faz sentido. “Ela poderá se conectar com o open finance, ver suas contas e sugerir, por exemplo, que você deixe essa compra para depois, porque este mês seu orçamento está mais apertado”, disse.

O cenário descrito por Perez é o mesmo que coloca o agentic commerce entre o hype e a necessidade de infraestrutura financeira de dados: para que agentes de IA tomem decisões financeiras em nome do usuário, eles precisam de acesso em tempo real ao perfil financeiro desse usuário, e o Open Finance é, hoje, a única estrutura regulada que viabiliza isso no Brasil.

O que observar

O volume de quase 10 bilhões de chamadas de API por semana indica que o Open Finance já opera em escala de infraestrutura crítica, não mais como projeto piloto. O próximo ponto de tensão será regulatório: à medida que agentes de IA passam a consumir consentimentos e dados do Open Finance de forma autônoma, as regras de governança do sistema precisarão definir como um agente pode autorizar consentimentos em nome do usuário, e com que limites. A pressão por regulamentação específica sobre o ponto de intersecção entre agentes de IA e Open Finance deve se intensificar conforme o uso avançar ao longo de 2026, e o Banco Central é quem terá de arbitrar os limites.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money

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