A OpenAI registrou cerca de US$ 5,7 bilhões em receita no primeiro trimestre de 2026, segundo o The Information, que citou fontes com conhecimento das finanças da companhia. O resultado supera em quase US$ 1 bilhão a receita da Anthropic no mesmo período e coloca a empresa no caminho para cumprir a meta de US$ 30 bilhões no ano, enquanto o IPO é aguardado para setembro, segundo o Wall Street Journal.
OpenAI: indicadores do 1º trimestre de 2026
| Métrica |
1º tri 2026 |
| Receita |
~US$ 5,7 bilhões |
| Margem operacional ajustada |
-122% |
| Usuários ativos semanais (média trim.) |
~905 milhões |
| Usuários ativos semanais (pico, fev/26) |
~920 milhões |
| Assinantes pagos do ChatGPT |
55 milhões (vs ~47 mi em dez/25) |
| Meta de receita para 2026 |
US$ 30 bilhões |
Dados apurados pelo The Information com fontes internas à OpenAI. Fonte: Exame
Codex e vendas corporativas impulsionam receita da OpenAI em 2026
O desempenho do primeiro trimestre foi puxado pelo Codex, agente de programação da OpenAI, pelas vendas corporativas e por testes de publicidade no ChatGPT. O ChatGPT permanece como âncora no consumo, mas o perfil da receita está mudando: produtos voltados a desenvolvedores e clientes empresariais ganham peso como motores de crescimento à medida que a demanda por ferramentas de programação com IA acelera. A empresa havia sinalizado que planejava US$ 115 bilhões em gastos até 2029, trajetória que exige receitas crescentes para ser sustentada.
A base de assinantes pagos do ChatGPT cresceu de cerca de 47 milhões ao fim de 2025 para 55 milhões no primeiro trimestre. Os usuários ativos semanais tiveram média de 905 milhões no período, com pico de 920 milhões em fevereiro. A diferença entre o pico e a média trimestral indica desaceleração no uso em outros meses do trimestre, um sinal que analistas de plataformas de consumo acompanham de perto.
Prejuízo persistente e trajetória ao IPO de setembro
O crescimento de receita ainda não se traduz em rentabilidade. A margem de lucro operacional ajustado foi negativa em 122% no primeiro trimestre, segundo o The Information: para cada dólar de receita, a empresa perdeu US$ 1,22, mesmo excluindo remuneração baseada em ações. A expansão dos gastos com infraestrutura de computação é o principal vetor de custo. A empresa havia buscado captação com avaliação de até US$ 750 bilhões para financiar essa expansão.
O IPO previsto para setembro de 2026, segundo o Wall Street Journal, que cita o trabalho com Goldman Sachs e Morgan Stanley, coloca a questão da lucratividade no centro da narrativa junto a investidores. A empresa precisa demonstrar um caminho para margens positivas ou pelo menos uma trajetória clara de melhora antes de ir a mercado.
O que observar
A diferença entre pico e média de usuários ativos semanais é o primeiro sinal de que o crescimento explosivo de adoção de ferramentas de IA no consumo pode estar se estabilizando. O caminho de crescimento que convence investidores num IPO não é o mesmo que sustentou rodadas privadas: em mercado aberto, margem operacional de -122% exige uma narrativa de convergência para o breakeven, não só de receita crescente. Vale acompanhar se os produtos corporativos e de programação conseguem escalar com estrutura de custo diferente do consumo, onde o custo de inferência por usuário é mais previsível e o volume é mais concentrado.
A disputa por participação no mercado de modelos fundacionais passa cada vez mais por quem consegue converter base de usuários em receita recorrente empresarial. O ponto de inflexão real não é a receita do trimestre, mas se as margens começam a melhorar no segundo semestre, período em que os gastos com infraestrutura devem aumentar antes do IPO.
Fontes: Exame • The Information • Let’s Money