A OpenAI avalia construir um celular próprio para centralizar seu ecossistema de agentes de IA, combinando controle total de hardware e sistema operacional, segundo análise do analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, publicada no X. A empresa não respondeu a pedidos de comentário.
OpenAI: projetos de dispositivos
Aspecto
Status
Aquisição da io (Jony Ive)
Pouco menos de US$ 6,5 bi: divisão de dispositivos
Equipe de dispositivos
200+ pessoas
Primeiro dispositivo
Não antes de fevereiro de 2027
Projetos confirmados
Alto-falante, óculos e lâmpada inteligentes
Celular
Em avaliação (análise Kuo, sem confirmação oficial)
Dados de análise de Ming-Chi Kuo (TF International Securities) e PYMNTS. Fonte: PYMNTS
Por que um celular?
Na visão de Kuo, oferecer um serviço abrangente de agente de IA exigiria controle total tanto do sistema operacional quanto do hardware, e os smartphones serão a maior categoria de dispositivos num futuro próximo. Para o usuário final, um agente de IA redefiniria a experiência móvel, ajudando a realizar tarefas sem precisar transitar entre aplicativos. “As vantagens da OpenAI residem em sua marca voltada para o consumidor, anos de dados de usuários acumulados e modelos de IA de ponta”, escreveu Kuo.
“O hardware de smartphones já está altamente maduro, então a OpenAI pode trabalhar com a cadeia de suprimentos para desenvolver o dispositivo. No que diz respeito ao modelo de negócios, a OpenAI pode combinar assinaturas com hardware e construir um novo ecossistema de agentes de IA com desenvolvedores.”
O movimento em direção ao hardware tem histórico. A OpenAI adquiriu a io, startup de dispositivos criada em 2024 pelo ex-diretor de design da Apple, Jony Ive, ao lado dos designers Scott Cannon, Evans Hankey e Tang Tan, por pouco menos de US$ 6,5 bilhões, com planos de transformá-la na divisão de dispositivos da empresa. Em novembro de 2025, a diretora financeira Sarah Friar confirmou a parceria com Ive em um dispositivo multimodal e antecipou a direção do projeto: “em um mundo multimodal para IA”, os dispositivos incluirão texto, som e visão. Ela acrescentou que aguardava “um dispositivo que não exija olhar para uma tela”.
Em fevereiro de 2026, reportagens indicaram que o time de dispositivos já envolvia mais de 200 pessoas, com projetos em curso para alto-falante inteligente, óculos inteligentes e uma lâmpada inteligente. O primeiro dispositivo não deve chegar antes de fevereiro de 2027. A questão do smartphone seria uma camada adicional, e a mais ambiciosa: seria o dispositivo central para o ecossistema de agentes financeiros autônomos que plataformas de pagamento e varejistas já constroem. A Mastercard lançou camada de confiança para autenticar agentes de IA em transações, exatamente o tipo de infraestrutura que um dispositivo nativo precisaria integrar.
O que observar
A análise de Kuo é especulativa e a empresa não confirmou o projeto. A distinção entre “avaliando” e “construindo” é relevante: empresas de software que migram para hardware enfrentam desafios de supply chain, assistência técnica, distribuição de varejo e certificação regulatória que nenhuma vantagem em modelos de linguagem elimina sozinha.
O modelo de negócio proposto por Kuo, hardware mais assinatura, pressupõe que usuários pagariam por um dispositivo cujo diferencial é o acesso a agentes de IA. A viabilidade depende de quanto os agentes passarem a resolver, de fato, tarefas que hoje exigem múltiplos aplicativos. O prazo de fevereiro de 2027 como piso para o primeiro dispositivo da divisão dá ao mercado ao menos 18 meses para calibrar se a premissa se confirma antes de um celular chegar às prateleiras. Se a camada de agentes de IA se consolidar dentro dos sistemas operacionais dominantes antes disso, a janela de diferenciação de um dispositivo proprietário se estreita.