A OpenAI deve protocolar ainda nesta semana o pedido de abertura de capital nos Estados Unidos, almejando um IPO em setembro que levaria a empresa a um valuation acima de US$ 1 trilhão, segundo fontes familiarizadas com o processo citadas pelo Valor Econômico e pelo Wall Street Journal. A operação é coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley e pela assessoria jurídica do escritório Cooley.
IPO da OpenAI: o que se sabe
| Dado |
Detalhe |
| Registro previsto |
Esta semana (maio de 2026) |
| Data-alvo do IPO |
Setembro de 2026 |
| Valuation-alvo |
Acima de US$ 1 trilhão |
| Último valuation (privado) |
US$ 852 bilhões |
| Bancos coordenadores |
Goldman Sachs e Morgan Stanley |
| Capital captado como privada |
Quase US$ 200 bilhões |
| Concorrente no calendário |
Anthropic (IPO em 2026) e SpaceX (mês seguinte) |
Dados do plano de IPO da OpenAI segundo fontes citadas. Fonte: Valor Econômico
Altman pressiona por IPO rápido; CFO defende cautela
O CEO da OpenAI, Sam Altman, tem pressionado para que a empresa abra capital antes da Anthropic, que também planeja um IPO em 2026. A diretora financeira, Sarah Friar, defende uma abordagem mais cautelosa para a operação, segundo fontes com conhecimento das discussões internas. Uma dessas fontes disse haver “muita estratégia” em curso entre as empresas de IA, com a abertura do processo de IPO funcionando como sinal para convencer investidores a reservar capital para a OpenAI em vez de alocá-lo todo na SpaceX, que deve ir a mercado primeiro.
A OpenAI passou os últimos 12 meses removendo obstáculos para esse movimento: converteu-se em organização com fins lucrativos no ano passado, reduziu projetos paralelos dispendiosos e, nesta semana, venceu uma batalha judicial movida por Elon Musk. A empresa havia recebido aporte de US$ 40 bilhões do SoftBank, parte de uma sequência que a levou a captar quase US$ 200 bilhões como empresa privada, volume sem precedentes para um único laboratório de IA.
SpaceX como referência de escala; Anthropic como alvo de calendário
A SpaceX, de Elon Musk, deve abrir capital no próximo mês almejando levantar cerca de US$ 75 bilhões com valuation de US$ 1,75 trilhão, o que configuraria a maior oferta pública inicial de ações de todos os tempos. O calendário da OpenAI foi desenhado em parte para não perder a atenção dos investidores institucionais para essa oferta. A Anthropic, que mira valuation de US$ 350 bilhões em nova rodada, é a outra referência no radar dos executivos da OpenAI: Altman quer chegar ao mercado público antes da concorrente.
O timing de setembro coincide com a janela de outono do hemisfério norte, historicamente mais receptiva a grandes ofertas de tecnologia. Mas o cronograma pode ser ajustado dependendo das condições de mercado e do desempenho da oferta da SpaceX, que antecede o IPO da OpenAI.
O que observar
Quando duas ofertas de escala histórica chegam ao mercado em janela próxima, investidores institucionais precisam priorizar alocação. A questão não é apenas de valuation, mas de capacidade de absorção: o mercado americano de ações pode ter apetite limitado para mais de uma operação acima de US$ 1 trilhão no mesmo semestre, o que torna o timing de entrada tão estratégico quanto a precificação em si.
A documentação obrigatória de um prospecto vai revelar pela primeira vez a estrutura de receita, custos de operação e trajetória de lucro de um dos maiores laboratórios de IA do mundo, informações que permanecem opacas no mercado privado. A leitura desse documento vai calibrar se o valuation pedido está sustentado por fundamentos ou se replica a dinâmica das rodadas privadas, onde o preço reflete otimismo estratégico mais do que métricas auditadas. Para criadores de modelos fundacionais que ainda buscam escala, o precedente aberto por esse IPO vai definir o piso de expectativa que os mercados públicos terão sobre receita e lucratividade de laboratórios de IA nos próximos anos.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money