OpenAI e PwC anunciaram uma colaboração para construir agentes de IA voltados aos principais ciclos operacionais das finanças corporativas, incluindo previsão, planejamento, relatórios, compras, pagamentos e tesouraria. O primeiro caso concreto é um agente de compras desenvolvido dentro da própria organização financeira da OpenAI.
Onde a IA agente vai atuar nas finanças
| Área |
Aplicação |
| Previsão |
Agentes que antecipam resultados e sinalizam riscos operacionais |
| Planejamento |
Ciclos de orçamento e alocação de recursos com execução autônoma |
| Relatórios |
Consolidação e produção de demonstrações financeiras periódicas |
| Compras |
Primeiro agente em produção, dentro da organização financeira da OpenAI |
| Pagamentos |
Execução e reconciliação de transações com menos intervenção humana |
| Tesouraria |
Gestão de caixa, liquidez e posições de curto prazo |
Parceria anunciada em 5 de maio de 2026. Fonte: PYMNTS
Construir no mundo real, não projetar em teoria
A colaboração tem como premissa declarada evitar o que os parceiros chamam de “projetar em teoria”: os agentes são desenvolvidos em contextos reais de negócio antes de serem generalizados. O ponto de partida é um agente de compras dentro do próprio departamento financeiro da OpenAI, com os aprendizados desse caso sendo aplicados a agentes para os demais ciclos operacionais. A lógica é similar à de empresas de software que usam internamente seus próprios produtos como ambiente de teste e refinamento.
“Acredito que estamos entrando em um momento em que a própria função financeira está sendo reinventada para moldar as decisões em tempo real. A oportunidade aqui é muito maior do que eficiência”, disse Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI. Para a executiva, o objetivo é dar aos líderes financeiros ferramentas para operar com maior visão de futuro e impacto estratégico.
O CFO como supervisor de agentes
O novo modelo operacional proposto pela parceria muda o perfil esperado do profissional de finanças: em vez de executar processos, o trabalho passa a ser supervisionar, auditar e aperfeiçoar os agentes de IA, enquanto mantém a responsabilidade sobre julgamentos, controles e resultados. “As finanças estão em um ponto de inflexão, onde as organizações estão migrando da eficiência de processos para operações inteligentes e centradas na tomada de decisões”, disse Tyson Cornell, líder de consultoria da PwC nos EUA.
A iniciativa se insere no mesmo movimento que levou a Experian a lançar um app de score de crédito dentro do ChatGPT em março, e que desde o ano passado vem transformando como grandes instituições financeiras usam modelos de linguagem. Com a PwC como parceira de implementação, a proposta não é vender licenças de software: é entregar agentes já configurados para os fluxos específicos de cada cliente, com a consultoria respondendo pela adequação operacional.
O que observar
A entrada de grandes consultorias como parceiras de implementação de agentes de IA cria uma camada intermediária que não existia no ciclo anterior de adoção de software. A questão central é se o modelo “prebuilt + expertise de consultoria” vai competir com plataformas que vendem templates diretamente às equipes internas, ou se os dois coexistem em segmentos de mercado distintos, com as consultorias atendendo empresas que não têm capacidade técnica para implementar por conta própria.
Vale acompanhar como a adoção de agentes de IA nas funções financeiras reguladas vai evoluir, especialmente em áreas como compras e pagamentos, onde os fluxos precisam se integrar a sistemas legados de ERP, contas a pagar e contas a receber. Esses processos raramente foram desenhados para execução autônoma por máquinas, o que tende a ser o principal gargalo prático antes que o ganho de escala se materialize.
Fontes: PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money