A Serasa integra seus conteúdos de educação financeira ao ChatGPT em parceria com a OpenAI, permitindo que usuários recebam orientações sobre finanças pessoais diretamente na ferramenta, com acesso via marketplace ou pelo comando @Serasa na conversa, e possibilidade de ser redirecionado ao ambiente da empresa para consultar score e renegociar dívidas mediante autenticação.
IA para finanças pessoais: como os brasileiros usam
| Finalidade |
% de usuários |
| Planejamento financeiro |
39% |
| Gestão de contas |
36% |
| Dicas para economizar |
34% |
| Investimentos |
33% |
| Entendimento do score de crédito |
32% |
Estudo Serasa Comportamento com Instituto Opinion Box. 38% usam IA para finanças diariamente. Fonte: Valor Econômico
Serasa Ensina como base da integração
As respostas entregues pelo ChatGPT são geradas a partir do Serasa Ensina, plataforma criada em 2020 com cursos, trilhas no YouTube, palestras e podcasts de educação financeira revisados por especialistas. Segundo Henrique Coelho, diretor de inteligência artificial da Serasa, a iniciativa representa uma mudança de direção: “Estamos saindo de aplicações internas para uma experiência direta com o usuário. A nossa proposta é estar presente no momento em que a dúvida surge.”
A empresa afirma que não há compartilhamento de dados pessoais na integração. “Não existe troca de informações sensíveis. As respostas não são baseadas em dados individuais”, disse Coelho. O redirecionamento para o ambiente da Serasa, que permite consultar score e renegociar dívidas, ocorre apenas mediante autenticação explícita do usuário. Não há previsão de monetização direta da iniciativa: a estratégia está voltada à ampliação de uso e relacionamento com o consumidor. O movimento segue a direção de outros birôs de crédito: a Experian já havia lançado app de score de crédito dentro do ChatGPT em março.
Expansão para outros assistentes e próximas funções
A Serasa planeja disponibilizar a solução em outros assistentes ao longo de 2026, incluindo Claude, Gemini e Perplexity. Nos próximos meses, a empresa também pretende incluir o Serasa Calculadora e o Serasa Renda Extra no ambiente conversacional. “Queremos evoluir para uma experiência em que o usuário consiga resolver diferentes demandas financeiras dentro da conversa”, afirmou o executivo. A estratégia de multi-plataforma posiciona a solução como camada de distribuição financeira, não restrita a um único assistente de IA.
O contexto de negócio é de crescimento acelerado no segmento de serviços ao consumidor: em 2025, a Serasa registrou receita de R$ 5,263 bilhões no Brasil, alta de 7,6%, com crescimento de 23,2% no segmento puxado por soluções como o Limpa Nome. A empresa também bloqueou 2 milhões de fraudes em 2025, reforçando o perfil de empresa de dados que opera tanto em crédito quanto em segurança de identidade digital.
O que observar
A ausência de monetização direta declarada não exclui o valor estratégico da integração: quando um usuário é redirecionado para consultar o score ou renegociar dívidas, esse fluxo representa um funil de aquisição dentro de um canal onde a intenção já está mapeada pela conversa. A questão é se os assistentes de IA vão cobrar por esse tipo de distribuição à medida que o marketplace cresce, o que mudaria o modelo de custo para empresas de dados financeiros.
O dado de que 38% dos brasileiros que usam IA para finanças pessoais o fazem diariamente mostra uma frequência de uso alta para um comportamento relativamente novo. O padrão de multi-plataforma sinaliza que a disputa relevante não é qual assistente vai concentrar o mercado, mas quais provedores de dados financeiros vão estabelecer presença de marca nos pontos de consulta mais frequentes antes que os assistentes construam suas próprias soluções nativas.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money