O SoftBank planeja abrir o capital da Roze, empresa americana de inteligência artificial e robótica criada por Masayoshi Son, com avaliação-alvo de US$ 100 bilhões ainda em 2026, segundo reportagem do Financial Times.
Projeto Roze: os dados divulgados
| Item |
Dado |
| Nome da empresa |
Roze |
| Tipo |
IA e robótica |
| País de operação |
EUA |
| Avaliação-alvo |
US$ 100 bilhões |
| IPO previsto |
2026 |
| Dia de analistas |
Data center no Texas, julho/2026 |
Projeto Roze: dados divulgados pelo Financial Times. Fonte: PYMNTS
O SoftBank e a Roze: bastidores de um IPO bilionário
A motivação declarada para a criação da Roze é compensar os compromissos de financiamento multibilionários que o grupo assumiu. Em janeiro, o SoftBank concluiu um aporte de US$ 40 bilhões na OpenAI, o maior investimento em uma empresa privada da história. Para viabilizar o IPO, o grupo planeja realizar um dia de encontro com analistas em um data center no Texas em julho, segundo as fontes do FT. Procurada pela PYMNTS, a SoftBank recusou-se a comentar.
A entrada do grupo no segmento de robótica tem histórico de capital que sustenta parte da narrativa da Roze. Em outubro de 2025, o grupo adquiriu a divisão de robótica da ABB por US$ 5,3 bilhões, consolidando portfólio antes de estruturar a nova empresa. Há, no entanto, vozes internas céticas quanto à avaliação e ao cronograma, em parte pela turbulência geopolítica e econômica em meio às tensões entre EUA e Irã.
IPO de US$ 100 bi em janela de mercado disputada
A Roze deverá competir por atenção do mercado de capitais com uma fila historicamente longa: o Financial Times aponta que os IPOs da SpaceX, da Anthropic e da OpenAI poderão ocupar o mesmo ciclo de ofertas. A compressão de demanda de investidores é um risco adicional ao cronograma já apertado.
O interesse de capital de risco em IA física e robótica cresce em paralelo. “Essa tendência reflete uma mudança no cenário das startups de IA, que está se afastando de ferramentas de uso geral e se voltando para sistemas capazes de executar tarefas específicas em setores como robótica, saúde, logística e software empresarial”, apontou a PYMNTS em análise sobre o setor publicada recentemente. O CEO da Tesla, Elon Musk, argumentou que robôs humanoides poderiam abrir um caminho para a inteligência artificial geral, embora a afirmação permaneça especulativa.
O que observar
A avaliação de US$ 100 bilhões pré-IPO é o número mais sensível do projeto: o conglomerado ancora essa referência num momento em que múltiplos de IA estão sob pressão e o mercado de capitais americano enfrenta incerteza geopolítica. O cronograma de julho para o dia de analistas é curto para resolver essas duas variáveis, e há vozes internas do próprio grupo que duvidam da combinação.
O segundo ponto crítico é a concorrência por janela de mercado. Três potenciais IPOs de escala histórica disputando o mesmo ciclo de oferta concentram a demanda de investidores institucionais num momento em que a liquidez está seletiva. Se qualquer uma dessas ofertas ancorar o mercado primeiro, o espaço para uma quarta empresa de IA com avaliação de três dígitos em bilhões se estreita de forma considerável.
Fontes: PYMNTS • Let’s Money • Let’s Money