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Adyen prevê comércio agêntico triplicar em 12 meses

Karan Katyal, head global de comércio agêntico da Adyen, dá nota 0,5/5 hoje e 1,5/5 em junho de 2027. A IA já entrega; o que trava é o encanamento.

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Piotr Swat / Shutterstock.com

Karan Katyal, head global de comércio agêntico da Adyen, projeta que a maturidade do agentic commerce vai triplicar em 12 meses, saindo de 0,5 para 1,5 numa escala de 5. O salto soa pequeno em pontos, mas mostra a velocidade real do mercado e o tamanho do que ainda falta para chegar ao meio do caminho.

Em entrevista a Karen Webster, CEO do PYMNTS, Katyal foi provocado a numerar a maturidade do comércio agêntico em uma escala em que 0 significa nada e 5 significa que comprar via agente é tão trivial quanto encostar um cartão na maquininha. “Estamos na versão 0,5”, afirmou. “São os primeiros dos primeiros dias. Ainda.” Para junho de 2027, sua resposta foi 1,5. Triplica tudo o que foi construído até hoje e ainda assim fica longe da metade da régua.

A IA já entrega; o resto, não

A tese central de Katyal é que a inteligência artificial deixou de ser o gargalo. Modelos de linguagem já ajudam o consumidor a pesquisar produto, comparar opções e encurtar uma lista de vinte para três. A descoberta funciona. Tudo o que vem depois, não. “Infraestrutura é um bloco muito maior do que se pensava, talvez”, disse ele.

O exemplo prático é o catálogo. Uma ficha de produto tradicional carrega cerca de uma dúzia de atributos, suficientes para uma página web. Um agente de IA tentando distinguir dois produtos parecidos precisa de algo como três vezes mais: especificações detalhadas, contexto, sinais que um humano lê nas entrelinhas. Quase nenhum catálogo carrega isso. Torná-lo legível para máquinas não é ajuste, é projeto.

O segundo bloco é confiança. “Confiança, risco e fraude precisam estar no centro da fundação de qualquer coisa que você acabe construindo”, afirmou Katyal. Não preso depois, no centro. Porque, no momento em que um agente age em nome do consumidor, as perguntas mudam de natureza. Quem responde quando o agente compra a passagem errada? Quando interpreta mal o pedido e finaliza assim mesmo? Um checkout malfeito gera reclamação. Uma delegação malfeita vira disputa de responsabilidade.

Onde está o comércio agêntico, numa escala até 5

Momento Nota de Katyal Leitura
Hoje (junho/2026) 0,5 Primeiros experimentos, fora da rotina
Em 12 meses (junho/2027) 1,5 Três vezes o que existe hoje, mas longe da metade
Maturidade plena 5,0 Comprar por agente é tão comum quanto encostar cartão

Notas dadas por Karan Katyal a Karen Webster em entrevista ao PYMNTS de 29 de junho de 2026. Fonte: PYMNTS.

Quatro modelos crescendo ao mesmo tempo

Parte do motivo de o número travar em 0,5 é que “comércio agêntico” não é um produto único. Katyal descreve quatro modelos em construção em paralelo, cada um com sua exigência técnica: o humano permanece no fluxo do começo ao fim; o agente compra sozinho dentro de regras pré-definidas; máquina-para-máquina, em que software transaciona com software; e compras corporativas, um universo à parte. Quatro direções, quatro pilhas de padrões, e ninguém arbitrando entre elas.

“A fragmentação vai continuar por bastante tempo”, disse Katyal. “Comércio agêntico é quase uma direção de viagem.” Não um destino ao qual se chega, mas um rumo que se aponta enquanto protocolos concorrentes, fluxos de onboarding, exigências de checkout e meios de pagamento se acomodam por baixo. É por isso que ele evita falar em retorno. “Comércio de agentes é quase uma série de experimentos. Se a coisa que você precisa para justificar isso são números duros, ainda não é a hora.”

O movimento da Adyen vai na direção oposta de quem está construindo plataforma própria. Em 16 de junho de 2026, a empresa lançou o Adyen Agentic, um pacote de três APIs (Feed, Cart e Payments) em piloto nos Estados Unidos com Amex, Mastercard, Salesforce e Visa como parceiros. A lógica é não apostar em qual protocolo vence: o desenho é o de um “tradutor universal” que pluga o comerciante em todos. Decisões parecidas vieram da concorrência. A Visa lançou seu Intelligent Commerce Connect e mira liderança no agentic commerce; a Mastercard lançou uma rede para pagamento entre agentes de IA; a Stripe anunciou que vai integrar AWS para cobrar agentes de IA. Cada um aposta numa parte do encanamento.

O consumidor já bate na porta

Webster contra-argumentou no único ponto em que pressionou Katyal. Baixa maturidade não é licença para esperar. Ela viu o filme da migração da loja física para o digital, e depois do digital para o mobile: quem demorou passou anos correndo atrás. O consumidor, nas palavras dela, já está “batendo na porta”. O problema é que não consegue atravessar. A intenção é real. O caminho da intenção até a compra é que está quebrado. Quem conserta a sua metade desse caminho enquanto a janela é experimental fica pronto para quando o ciclo, enfim, fechar.

O que entra primeiro, segundo Katyal, são as compras de baixa dramaturgia: reposição rotineira de itens domésticos, decisões de pouca consideração em que delegar tira a fricção sem causar ansiedade de perder o controle. Webster acrescentou uma torção: o agente pode ser igualmente valioso no topo da curva de consideração, naquela compra grande em que o valor está mais no pesquisar e comparar do que no clique final. Os dois concordaram que não haverá um único jeito universal de comprar. Vai depender da pessoa e do momento. Às vezes o consumidor delega; às vezes pilota. A infraestrutura precisa aguentar os dois.

Essa leitura de “encanamento sustentando experimentos” também já apareceu no Let’s Money no começo do ano, quando a discussão entre hype e infraestrutura ganhou tração. O que muda agora é que um dos maiores adquirentes do mundo passa a tratar a fase como “experimentos” em público.

O que observar

Vale acompanhar quanto tempo levam os marketplaces e portais de varejo para tornar catálogos legíveis a máquinas, especialmente em categorias de produtos similares em que a diferença está no atributo de cauda. Esse é o gargalo concreto, com investimento mensurável. Em paralelo, fica a pergunta de quem assume responsabilidade quando o agente erra: redes de cartão, adquirentes, fabricantes de modelo e varejistas operam hoje sob acordos pensados para checkout humano. Conforme o número de tentativas de compra via agente sobe, contratos vão precisar de revisão antes que a primeira disputa virar precedente. A terceira frente é o custo: enquanto não há referee entre protocolos, manter quatro integrações ativas é despesa de quem entra. Se a fragmentação durar mais do que os 12 meses sinalizados, a vantagem se inclina para infraestruturadores que vendem o conector, e não para quem aposta numa pilha só.

Fontes: PYMNTSRelease AdyenLet’s Money: Adyen lança APIs para comércio agênticoLet’s Money: Agentic commerce em 2026: do hype à infraestrutura

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