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Bank of America nomeia chefes de cripto e de IA

Bank of America criou duas chefias dedicadas: Sonali Theisen assume a plataforma global de ativos digitais e Kevin Milsom, a transformação de IA.

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Atualizado em

Erman Gunes / Shutterstock.com

O Bank of America colocou nome e sobrenome na aposta em ativos digitais e inteligência artificial. Memos internos reportados na sexta-feira (17) e confirmados pelo banco criaram duas chefias dedicadas: Sonali Theisen passa a comandar a plataforma global de ativos digitais e Kevin Milsom assume a transformação de IA nas plataformas do banco, segundo a PYMNTS.

A escolha de Theisen diz mais sobre o desenho da operação do que sobre o organograma. Ela não deixa o posto que já ocupava: segue responsável pelo e-trading de renda fixa, câmbio e commodities e pelos investimentos estratégicos da área de mercados. Na nova função, responde por desenho, desenvolvimento, escala e governança da plataforma de ativos digitais, conforme os memos reportados pelo The Block. A pauta cripto foi encaixada dentro de quem já opera a mesa eletrônica, não em célula de inovação apartada.

Estrutura montada em etapas

O banco vinha preparando o terreno. Em junho de 2026, Adam Dixon assumiu a chefia global de transformação de ativos digitais, cobrindo depósitos tokenizados e stablecoins, mobilidade de colateral digital, liquidação de negociação de criptomoedas e custódia. A PYMNTS registra que o avanço acompanha um ambiente regulatório mais frouxo nos Estados Unidos, que ampliou a adoção institucional e a demanda de clientes por cripto. O movimento aparece em outros balcões: o JPMorgan pediu regras de banco para cripto nos EUA e as bandeiras começaram a montar trilhos próprios, como a carteira da Visa para bancos moverem stablecoin.

É o mesmo padrão que o mercado brasileiro discutiu quando o Drex entrou no radar. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, Afonso Belice, presidente do Ethereum Brasil e CEO da Vega Crypto, descreveu a adoção institucional de blockchain como decisão de eficiência operacional, não de convicção sobre cripto como classe de ativo. Na época, o argumento valia para instituições que ainda estudavam o tema. A estrutura de agora mostra o estágio seguinte: virou cargo com dono.

Do lado da IA, escala já instalada

IA no Bank of America (2T26)

Prompts gerados por dia 400 mil
Casos de uso de IA aprovados mais de 300
Casos de IA generativa no ar 114
Casos plenamente implementados 34

Números de IA citados por Brian Moynihan na teleconferência de resultados do 2T26. Fonte: Constellation Research

Milsom chega a uma operação que já roda em volume. Na teleconferência do segundo trimestre de 2026, o CEO Brian Moynihan afirmou que “nossos associados estão gerando mais de 400 mil prompts por dia” e que, “na semana passada, tínhamos mais de 300 casos de uso de IA aprovados, todos com boa economia, dos quais 114 são casos de IA generativa no ar” (em tradução livre). O CFO Alastair Borthwick resumiu o foco do trabalho em quatro frentes: crescimento, eficiência, gestão de risco e resiliência. O banco também acumula 1.600 patentes de IA e gasto anual de US$ 13,5 bilhões em tecnologia, e fechou o trimestre com lucro em alta em todos os segmentos.

Na mesma semana de balanços, o JPMorgan informou cerca de 1.000 casos de uso de IA em desenvolvimento. Jamie Dimon, presidente e CEO do banco, disse que “o beneficiário final da IA serão nossos clientes” (em tradução livre), sinalizando que ele não conta com o ganho ficando dentro da instituição financeira.

O que os memos não respondem é o de sempre em banco grande: chefia criada não é produto entregue. Theisen recebe uma plataforma que ainda precisa conversar com a infraestrutura financeira tradicional do banco, a parte cara e lenta do trabalho.

O que observar

Vale acompanhar se a criação de chefias dedicadas em bancos globais se traduz em produto no ar ou fica no plano de governança. Dois indicadores ajudam: quantas capacidades de ativos digitais saem do piloto para a operação com clientes institucionais, e se as mesas de mercado eletrônico passam a absorver liquidação e custódia de criptoativos em vez de tratar o tema como projeto separado. Do lado de IA, a métrica relevante deixa de ser casos aprovados e passa a ser casos plenamente implementados.

Fontes: PYMNTSThe BlockConstellation ResearchLet’s Money Podcast: Web3 e blockchain, a revolução institucional no mercado financeiro

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