O Banco Central da Índia (RBI) subiu o tom sobre inteligência artificial e cobrou dos bancos do país uma postura de comando: cabe às instituições decidir como a tecnologia vai redesenhar risco, crédito e atendimento, em vez de aceitar o rumo que a IA impuser por conta própria.
O recado veio do governador Sanjay Malhotra durante o FIBAC 2026, conferência do setor bancário indiano realizada em agosto de 2026. Para ele, adotar IA vai além de contratar mais um software: exige repensar como o banco avalia risco, precifica capital, organiza operações e serve o cliente. “A única questão diante de nós agora é se vocês moldam a jornada da IA ou deixam que ela molde vocês por padrão” (em tradução livre), afirmou.
Malhotra chamou atenção para o desenvolvimento de software como uma das áreas em que a IA já muda o trabalho: tarefas de programação antes vistas como complexas viraram rotina, e parte do que era feito por engenheiros passa a ser executada por máquinas. No Brasil, o movimento aparece em casos como o do Itaú, que diz acelerar o desenvolvimento de software em até 300% com agentes de IA.
O eixo do discurso foi tratar IA como decisão de conselho, e não como projeto isolado da área de tecnologia. Malhotra ligou o tema ao coração do negócio bancário, a forma como as instituições avaliam e concedem crédito. Segundo ele, “a IA tem o potencial de fazer pelo julgamento financeiro o que o UPI fez pelas transações financeiras” (em tradução livre), referência ao sistema de pagamentos instantâneos que é o equivalente indiano do Pix. É a mesma fronteira que players já testam por aqui, como a Experian, que abriu uma camada de agentes de IA para o ciclo de crédito, e que aparece na modernização de sistemas centrais, caso do Bradesco, que mantém o mainframe no core bancário rodando com IA.
O recado do RBI sobre IA nos bancos
| Estratégia | IA é pauta de conselho, não compra pontual de tecnologia |
| Comando | Moldar a jornada da IA em vez de ser moldado por ela |
| Limite | IA deve apoiar o julgamento humano, não apenas substituí-lo |
| Justiça | Justiça algorítmica como requisito de projeto, não item de conformidade |
Mensagens do discurso de Sanjay Malhotra no FIBAC 2026. Fonte: Retail Banker International
O governador também marcou limites. Defendeu que a IA apoie o julgamento humano em vez de simplesmente substituí-lo e que justiça algorítmica seja tratada como requisito de projeto, não como um item de conformidade a marcar depois. A preocupação com sistemas de IA que escapam ao controle dos operadores vai além da Índia: o Google apresentou um plano para conter agentes de IA fora de controle.








