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Inteligência ArtificialIA · BCE

Na Europa, 70% das empresas usam IA, mas só 7% a fundo

Pesquisa do Banco Central Europeu mostra que 70% das empresas da zona do euro usam IA, mas só 7% de forma intensiva. Uso intenso exige investimento alto.

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Shutterstock

A inteligência artificial já está presente na maioria das empresas europeias, mas raramente no centro da operação. Pesquisa do Banco Central Europeu (BCE) mostra que 70% das companhias da zona do euro usam IA, mas apenas 7% relatam uso intensivo, acima do esporádico ou moderado.

Adoção de IA nas empresas da zona do euro

Indicador Dado
Usam IA 70%
Uso intensivo 7%
Não-usuários que pretendem investir em 2026 Quase metade
Usuários intensivos que já investiram 84% (vs 34% dos moderados)
Parcela do investimento total dedicada à IA (uso intensivo) Cerca de 20%

Pesquisa do BCE sobre uso de IA nas empresas. Fonte: PYMNTS

Adoção ampla, uso raso

O retrato é de uma tecnologia espalhada, porém pouco aprofundada. “A maioria das empresas relata usar IA apenas de forma esporádica ou moderada, com somente 7% das empresas da zona do euro reportando uso intensivo”, escreveram os pesquisadores do BCE (em tradução livre). A probabilidade de adoção cresce com o tamanho da empresa, mas o uso intensivo é mais comum entre companhias menores e mais jovens.

O perfil setorial também pesa. O uso intenso aparece sobretudo em serviços de alta tecnologia e intensivos em conhecimento, como informação e comunicação. Segundo o BCE, esses segmentos incluem desenvolvedores e fornecedores de ferramentas de IA, que já são altamente digitalizados, têm dados e infraestrutura de computação em abundância e empregam profissionais com forte qualificação técnica.

Por que o uso intenso custa caro

A diferença entre experimentar e transformar aparece no bolso. Entre os usuários intensivos, 84% já investiram na tecnologia, contra 34% dos usuários moderados. Quase todos os usuários intensivos (99%) planejavam investir em IA neste ano, destinando cerca de 20% do investimento total a atividades relacionadas. “Isso mostra que investimentos que vão além da compra de licenças de ferramentas genéricas geralmente exigem aporte mais substancial”, escreveu o BCE (em tradução livre).

Integrar IA nos processos centrais, com soluções customizadas ou melhoria de infraestrutura digital, costuma implicar reestruturação maior e de longo prazo. O apetite, porém, segue firme: quase metade das empresas que não usavam IA em 2025 pretende investir em 2026, movimento que conversa com a aposta de instituições financeiras, que devem triplicar o gasto com IA até 2028.

O mesmo esforço aparece na montagem de times dedicados: o Lloyds abriu 300 vagas em IA agêntica no Reino Unido.

O que observar

O dado expõe a distância entre usar IA e se transformar com IA. Vale acompanhar se a adoção rasa, baseada em licenças de ferramentas genéricas, evolui para a integração nos processos centrais, salto que depende de capital e de reestruturação, não só de acesso ao software. A pergunta operacional é se o ganho de produtividade prometido se concentra nas poucas empresas que investem pesado ou se difunde para a maioria que apenas tateia a tecnologia.

Chama atenção que o uso intensivo seja mais comum em empresas menores e mais jovens, e não nas maiores. Se isso se confirmar como padrão, o tamanho deixa de ser vantagem automática na corrida da IA, e a velocidade de reorganização interna passa a contar mais. Para o mercado brasileiro, a leitura é direta: setores de serviços intensivos em conhecimento tendem a puxar a fila, mas o salto real só vem de quem trata a IA como infraestrutura, e não como assinatura avulsa. O mesmo regulador que mede a adoção também cobra dos bancos correções em falhas expostas pela tecnologia.

Fontes: PYMNTSBanco Central Europeu

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