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BofE recua nos limites de stablecoin após pressão do setor

Banco da Inglaterra sinaliza revisão nos limites de posse de stablecoins e na exigência de reserva de 40% sem juros. Novas regras até junho.

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· 2 min

Atualizado em

O Banco da Inglaterra sinalizou que vai suavizar as restrições planejadas para stablecoins, incluindo a proposta de limitar a posse individual a £ 20 mil e a exigência de que emissores depositem ao menos 40% dos ativos lastreadores no banco central sem rendimento de juros, após pressão do setor sobre a complexidade operacional das regras.

Regras propostas pelo BofE para stablecoins

Medida Proposta original Status
Limite por pessoa física £ 20 mil por moeda Sob revisão
Limite por empresa £ 10 milhões por moeda Sob revisão
Reserva no BofE Mín. 40% dos ativos, sem juros Sob revisão

Limites propostos para stablecoins no Reino Unido. Fonte: PYMNTS

Por que o BofE está recuando

Sarah Breeden, vice-governadora do Banco da Inglaterra para estabilidade financeira, disse ao Financial Times que o banco central está avaliando alternativas às regras propostas no fim do ano passado. “O que temos ouvido do setor é que a forma como propusemos implementar os limites é operacionalmente complexa para uma medida temporária. Portanto, estamos realmente abertos a considerar outras maneiras de atingir nosso objetivo”, afirmou.

As regras originais previam dois tetos temporários, confirmados pela PYMNTS: £ 20 mil por pessoa física e £ 10 milhões por empresa para posse de stablecoins. Tanto a Payments Association quanto a Innovate Finance criticaram duramente as propostas, argumentando que sufocaria a inovação e prejudicaria modelos de negócio de bancos digitais, fintechs de pagamento e startups de stablecoins. Sobre a reserva de 40%, Breeden reconheceu que “talvez não seja surpreendente que o setor prefira manter mais ativos que rendam juros, já que isso impacta positivamente seus resultados”, acrescentando que vai “analisar cuidadosamente se fomos excessivamente conservadores em nosso pensamento nesse sentido”.

O recuo ocorre num contexto de pressão regulatória global: nos EUA, o governo Trump pressionou por legislação favorável a stablecoins via GENIUS Act, enquanto o Reino Unido tenta se consolidar como hub cripto no pós-Brexit. O mercado já antecipa esse movimento: startups britânicas de pagamento com stablecoins têm mirado conexões com infraestruturas de pagamento instantâneo como o Pix.

O que observar

Bancos centrais enfrentam um dilema estrutural: tetos muito restritivos para posse de stablecoins empurram emissores para jurisdições mais permissivas e esvaziam o hub local, enquanto regras frouxas criam risco sistêmico se a moeda digital ganhar escala.

O teste concreto virá com a publicação das novas minutas: se os limites forem eliminados ou substancialmente elevados, o sinal será de competição direta com os EUA pela atração de emissores de moedas digitais privadas. Vale acompanhar se reguladores de outras economias avançadas revisarão suas próprias propostas na mesma direção antes de finalizarem seus frameworks para stablecoins.

Fontes: FinextraPYMNTSLet’s MoneyLet’s Money

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