A Brookfield Asset Management comprou US$ 2 bilhões em ações da SpaceX no valuation de US$ 1,25 trilhão referente à fusão com a xAI, como parte de uma estratégia de alocação seletiva em empresas ligadas ao crescimento da inteligência artificial.
Portfólio AI da Brookfield (até março de 2026)
| Empresa |
Alocação |
Setor |
| SpaceX |
US$ 2 bilhões |
Foguetes, satélites e IA |
| Figure |
US$ 500 milhões |
Robôs humanoides |
| Pinegrove Capital |
US$ 450 milhões |
Mercado secundário de tecnologia |
| Hark Labs |
Não divulgado |
Personal intelligence (IA + dados pessoais) |
| Total alocado |
US$ 6,3 bilhões |
Novas estratégias AI-adjacentes |
Dados até março de 2026. Fonte: Brazil Journal • Wall Street Journal
SpaceX no limiar do IPO
O investimento da Brookfield foi feito com o IPO da SpaceX previsto para junho de 2026, um dos mais aguardados da história. Elon Musk busca um valuation de US$ 2 trilhões na oferta, com a empresa esperando levantar até US$ 80 bilhões. Para facilitar o acesso de investidores de varejo, a SpaceX anunciou um desdobramento de ações na proporção de 5 para 1. O S&P 500, por sua vez, estuda mudanças em suas regras para acelerar a inclusão da empresa no índice.
A SpaceX havia comprado a xAI por US$ 1,25 trilhão em fevereiro, criando o valuation de referência usado pela Brookfield para precificar o investimento. O corpo acionário atual inclui Nvidia, Alphabet, Fidelity, Founders Fund, Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e o fundo soberano do Catar. Musk detém cerca de 43% das ações.
Brookfield como gestor de ativos AI-adjacentes
A gestora de US$ 1 trilhão comandada por Bruce Flatt tem expandido sua tese de investimentos bem além de infraestrutura e imóveis. O aporte na SpaceX é parte de uma carteira de US$ 6,3 bilhões alocada em empresas ligadas ao crescimento da IA até março de 2026, segundo o Wall Street Journal. Além da SpaceX, a Brookfield investiu US$ 500 milhões na Figure, desenvolvedora de robôs humanoides, e US$ 450 milhões na Pinegrove Capital, fundo de mercado secundário focado em tecnologia. A SpaceX também posiciona sua constelação de satélites como infraestrutura de data centers, tese que converge diretamente com o histórico da Brookfield em ativos de infraestrutura.
O que observar
O investimento pré-IPO em empresas de capital fechado com valuation trilionário envolve assimetrias relevantes: liquidez restrita até a oferta pública, risco de repricing entre o momento do aporte e a precificação do IPO, e períodos de lock-up que limitam a saída imediata após a abertura. A convergência entre infraestrutura física, que inclui satélites e data centers, e inteligência artificial cria uma classe de ativos que gestores tradicionais ainda estão aprendendo a precificar.
O ponto crítico do IPO não é o valuation de abertura, mas se a receita recorrente de serviços, a começar pelos serviços de conectividade via satélite, sustenta uma múltipla trilionária no horizonte de 5 a 10 anos. A mudança de regras de índices para acelerar a inclusão de uma empresa específica é um movimento sem precedente próximo, e seu impacto sobre precificação e fluxos de capital merece acompanhamento cuidadoso.
Fontes: Brazil Journal • Let’s Money • Let’s Money