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CFTC aprova futuros perpétuos de cripto pela 1ª vez nos EUA

CFTC aprova futuros perpétuos de cripto nos EUA pela 1ª vez; Coinbase e Kalshi serão os 1ºs a operar num mercado que movimenta US$ 61,7 tri.

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· 3 min

Atualizado em

O regulador americano de derivativos, a CFTC, aprovou pela primeira vez contratos futuros perpétuos de criptomoedas em solo americano, abrindo para supervisão doméstica um mercado que movimentou US$ 61,7 trilhões globalmente em 2025, quase integralmente em plataformas offshore. A Kalshi recebeu uma aprovação formal, enquanto a Coinbase obteve carta de não-objeção da CFTC para listar os produtos via subsidiária.

Futuros perpétuos de cripto: offshore vs. regulado nos EUA

Característica Mercado offshore (hoje) Modelo regulado (novo)
Supervisão Limitada fora dos EUA CFTC
Alavancagem Alta, sem limite claro Controlada pelo regulador
Acesso legal para americanos Restrito Direto
Volume global (2025) US$ 61,7 tri (offshore) Novo

Comparativo com base na aprovação da CFTC. Fonte: Startups.com.br

O produto que movimenta US$ 61,7 trilhões

Futuros perpétuos são contratos que permitem apostas no preço de um ativo (neste caso, criptomoedas) sem data de vencimento, podendo operar comprado ou vendido com alavancagem elevada. É esse perfil agressivo que os tornou o principal motor de liquidez do mercado cripto nos últimos anos. Traders americanos frequentemente recorriam a plataformas estrangeiras para acessar esse tipo de derivativo, já que as restrições locais limitavam a oferta doméstica. A Coinbase já vinha ampliando sua presença no mercado doméstico americano, e os perps são mais um passo nessa direção.

A distinção técnica entre as aprovações importa: a Kalshi recebeu uma Order for Approval da CFTC para seu contrato BTCPERP, tornando-se a primeira exchange doméstica com um produto perpétuo regulado nos EUA. A Coinbase obteve uma carta de não-objeção, que autoriza sua subsidiária CFM a listar perps via Coinbase Bermuda, produtos que serão tratados como “futuros estrangeiros” pelo regulador. A Kalshi já vinha buscando investidores institucionais e este movimento consolida seu reposicionamento além dos mercados de previsão.

Uma mudança de postura do regulador americano

Michael Selig, chairman da CFTC, disse que a aprovação dos contratos perpétuos é um “marco histórico” para trazer uma das áreas mais líquidas do mercado de criptoativos para dentro da supervisão dos EUA. A ideia, afirmou ele em artigo publicado na mesma data, é reduzir riscos hoje concentrados em plataformas offshore e criar um ambiente regulado capaz de limitar alavancagem excessiva, volatilidade e riscos sistêmicos, sem sufocar a inovação do setor. O movimento segue uma tendência de abertura regulatória nos EUA: a Crypto.com também recebeu aprovação condicional do OCC para operar como banco nos EUA no mesmo ciclo regulatório.

O que observar

O principal teste será a migração de volume. Traders que operam com alavancagem alta em plataformas offshore têm cultura de arbitragem regulatória consolidada: se o ambiente regulado americano impuser limites significativamente mais restritivos que os praticados offshore, parte do volume pode permanecer fora dos EUA. A questão central não é se investidores querem produtos regulados, mas se o grau de restrição à alavancagem faz o custo de compliance valer o benefício do acesso legal.

Vale acompanhar também a reação das outras exchanges de derivativos, especialmente as que operam em jurisdições offshore com usuários americanos. Se o modelo americano ganhar tração, a pressão regulatória sobre essas plataformas deve aumentar, o que pode redefinir a dinâmica competitiva de um mercado que hoje processa dezenas de trilhões de dólares por ano sem supervisão centralizada.

Fontes: Startups.com.brCoinDeskLet’s Money

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