A Currensea, fintech britânica de cartões de débito multibanco, obteve Licença de Instituição de Pagamentos do banco central holandês e pode agora oferecer seus cartões a consumidores em todo o Espaço Econômico Europeu. A empresa reúne 200 mil clientes no Reino Unido e parcerias co-branded com Hilton Hotels, Marriott Bonvoy e United Airlines.
Currensea em números
| Indicador |
Dado |
| Clientes no Reino Unido |
200 mil |
| Ranking FT1000 |
2ª fintech de crescimento mais rápido do UK |
| Parcerias co-branded |
Hilton Hotels, Marriott Bonvoy, United Airlines |
| Nova licença |
Instituição de Pagamentos (banco central holandês) |
Números da Currensea antes da expansão europeia. Fonte: Finextra
O modelo multibanco chega ao continente
Construída sobre Open Banking, a plataforma da Currensea vincula um cartão de débito, emitido na rede Mastercard, à conta bancária existente do cliente, sem exigir abertura de nova conta ou mudança de banco. Os gastos do dia a dia geram recompensas pelos programas de fidelidade de parceiros, como milhas aéreas e pontos de hotelaria. O formato ganhou tração no Reino Unido, onde o Open Banking já opera como infraestrutura central do sistema financeiro, e a empresa foi classificada como a segunda fintech de crescimento mais rápido do país no ranking FT1000 do Financial Times.
A licença do banco central holandês (De Nederlandsche Bank) é o passaporte regulatório que permite operar em todos os países do Espaço Econômico Europeu sem aprovações nacionais adicionais. A Holanda foi escolhida como sede por ser um dos principais polos fintech da UE, com regulação aberta ao setor de pagamentos. Entre as parcerias mais recentes da empresa está o cartão da United Airlines, lançado em março de 2026 como o primeiro cartão de débito com recompensas de uma companhia aérea americana para clientes no Reino Unido.
Equipe europeia já está formada
A empresa recrutou três executivos para liderar a operação no continente. Leon Muis assume como chefe da Europa e CEO da Currensea Europe, com trajetória em Rabobank, ING e Fiserv, além de ter sido diretor de negócios da Yolt, pioneira holandesa em Open Banking. Simone Aurighi, com quase duas décadas em pagamentos internacionais, incluindo passagens por Verifone Payments e PayU, responde pelo compliance e gestão de riscos. Maurice Jongmans, CEO da Online Payment Platform, presidirá o conselho administrativo da subsidiária europeia.
“Esta licença nos permite expandir nosso sucesso no Reino Unido e levar nossa premiada oferta de recompensas com cartão de débito multibanco para clientes em todo o continente […]”, disse James Lynn, CEO e cofundador da Currensea. O executivo afirmou que novas parcerias com empresas de viagens e hotelaria serão anunciadas em breve.
O que observar
A expansão europeia depende de dois elos: a maturidade da infraestrutura de Open Banking em cada mercado para acesso às contas bancárias locais e a disposição de marcas globais de viagens e hotelaria a associar seus programas de fidelidade ao débito, em mercados onde o crédito historicamente domina esse segmento. Mercados como Alemanha e Países Baixos, onde o débito responde por parcela expressiva do gasto diário, são candidatos naturais ao modelo.
A fragmentação bancária europeia, no entanto, torna a integração de contas mais complexa do que no sistema britânico, que passa por nova estrutura regulatória. A pergunta central é se emissores de cartão baseados em Open Banking conseguem construir base de parceiros e convencer consumidores europeus a vincular suas contas, num mercado onde programas de crédito com recompensas já têm décadas de tração.
Fontes: Finextra • Fintech Global • Let’s Money • Let’s Money