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DeFi recua US$ 14 bi após ataques cibernéticos

Saída de US$ 14 bi do DeFi expõe fragilidade dos protocolos. Hackers norte-coreanos roubaram US$ 290 mi da KelpDAO; Drift perdeu US$ 280 mi.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Jefferson Santos na Unsplash

Investidores retiraram US$ 14 bilhões de projetos de finanças descentralizadas (DeFi) nas últimas semanas, segundo dados da DefiLlama reportados pelo Financial Times. A fuga segue dois ataques cibernéticos: hackers ligados à Coreia do Norte roubaram US$ 290 milhões da KelpDAO e usaram os fundos como garantia para sacar US$ 230 milhões em empréstimo da Aave; semanas antes, a exchange Drift havia perdido US$ 280 milhões.

DeFi sob ataque: escala dos danos em 2026

Evento Impacto
Retiradas de projetos DeFi (últimas semanas) US$ 14 bilhões
Hack KelpDAO (hackers norte-coreanos) US$ 290 milhões roubados
Empréstimo Aave com fundos roubados US$ 230 milhões
Hack exchange Drift US$ 280 milhões roubados
Tamanho atual do mercado DeFi US$ 86 bilhões

Dados reportados pelo PYMNTS com base em DefiLlama e Financial Times. Fonte: PYMNTS

O novo vetor: a camada de mensagens

O ataque à KelpDAO marcou uma mudança de método. Ataques anteriores exploravam chaves privadas comprometidas ou falhas em contratos inteligentes. Este comprometeu a camada de mensagens que permite interoperabilidade entre diferentes blockchains: o mecanismo que autoriza movimentações entre redes distintas foi convencido de que o atacante era o proprietário legítimo dos ativos.

“Os ataques anteriores ocorreram devido a chaves roubadas ou falhas em contratos inteligentes; este teve como objetivo convencer o cofre de que o ladrão era, na verdade, o proprietário”, disse Ryan Rugg, chefe global de ativos digitais da Citi Treasury and Trade Solutions, no podcast da PYMNTS.

A consequência imediata foi dupla: além dos US$ 290 milhões roubados da KelpDAO, os atacantes usaram os fundos como garantia em um protocolo de empréstimo DeFi para obter US$ 230 milhões adicionais, ampliando o efeito do ataque dentro do próprio ecossistema. O incidente da exchange Drift, com US$ 280 milhões desviados em ataque separado, reforçou a percepção de que a temporada foi excepcionalmente custosa. Em março, o Let’s Money reportou que Trump assinou ordem executiva contra fraudes e crimes cibernéticos, elevando a pressão regulatória sobre ativos digitais nos EUA.

Mercado encolhe, adoção institucional em questão

O DeFi havia crescido de menos de US$ 1 bilhão para cerca de US$ 180 bilhões em valor total bloqueado (TVL) em 2021. Desde então, o mercado encolheu para aproximadamente US$ 86 bilhões. Os ataques ocorrem em um momento específico: o setor financeiro tradicional experimenta ativamente a tecnologia blockchain. Em março, o Banco do Canadá concluiu teste de liquidação de títulos em blockchain, sinal de que a adoção institucional avança em paralelo.

“As consequências são graves”, disse Lucas Tcheyan, pesquisador associado do grupo Galaxy, ao Financial Times. Segundo ele, os ataques “minam os argumentos de que as criptomoedas oferecem uma alternativa mais segura e transparente aos sistemas financeiros tradicionais”. Rugg foi mais cauteloso sobre o impacto de longo prazo: “Isso atrasa a adoção institucional do DeFi? Talvez. Vai abalar um pouco a confiança do mercado.”

O que observar

A camada de mensagens entre blockchains distintas tornou-se o novo front de segurança nos protocolos de finanças descentralizadas. Diferentemente de falhas em contratos inteligentes, que afetam um protocolo isolado, vulnerabilidades na camada de interoperabilidade podem comprometer o ecossistema interligado, já que os ativos fluem entre plataformas como garantia. Protocolos de empréstimo que aceitam colateral de outros chains precisarão implementar verificação mais robusta de autenticidade, o que pode elevar fricção e custo para os participantes legítimos.

Para a adoção institucional, a pergunta central é operacional: quanto de redundância e segurança adequadas é possível construir em todas as camadas onde reside a confiança sem abrir mão das propriedades que tornam o DeFi atrativo para instituições, como a liquidez automática e a composabilidade. A resposta a essa tensão, nas próximas rodadas de adequação dos protocolos, vai definir se os ataques representam um recuo temporário ou um limite estrutural à escala do DeFi institucional.

Fontes: PYMNTSLet’s MoneyLet’s Money

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