A FCA, o HMRC e a unidade de combate ao crime organizado do Sudoeste vasculharam 8 endereços em Londres em sua primeira operação conjunta contra a negociação ilegal de cripto P2P. A ação chega enquanto o Banco Central define outubro de 2026 como prazo para VASPs obterem autorização formal no Brasil.
Operação contra cripto P2P: os números da 1ª ação conjunta
Componente
Dado
Endereços inspecionados
8, todos em Londres
Parceiros da operação
FCA, HMRC, SWROCU
Traders P2P registrados na FCA
Zero
Ações imediatas
Notificações extrajudiciais + coleta de evidências para investigações criminais
Base legal
Money Laundering Regulations 2017
Dados da operação de 22 de abril de 2026. Fonte: FCA
Primeira operação conjunta contra cripto P2P ilegal
Em 22 de abril, a FCA emitiu notificações extrajudiciais em cada um dos 8 endereços inspecionados, instruindo os negociadores a interromperem as atividades imediatamente. As evidências coletadas alimentam investigações criminais em andamento, segundo comunicado da autoridade. A FCA já havia prendido dois indivíduos em junho de 2024, em ação anterior com a Polícia Metropolitana de Londres.
A operação de abril marca a primeira vez que FCA, HMRC e uma unidade regional de crime organizado atuam em conjunto nessa frente. Em outubro de 2025, o portal reportou que a FCA processou a exchange HTX por promover criptoativos sem autorização, sinalizando o endurecimento da postura regulatória britânica antes mesmo desta operação.
“Negociadores de criptomoedas P2P não registrados que operam no Reino Unido estão agindo ilegalmente e representam um risco de crime financeiro. Usaremos nossos poderes e trabalharemos com parceiros para desmantelá-los”, disse Steve Smart, diretor-executivo de fiscalização e supervisão de mercado da FCA.
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Sem registro, a atividade é crime
A negociação ponto a ponto ocorre quando pessoas compram e vendem criptoativos diretamente entre si, sem intermediação de uma corretora centralizada. No Reino Unido, essa atividade exige registro formal junto à FCA, sob o Money Laundering, Terrorist Financing and Transfer of Funds Regulations 2017, que impõe controles de prevenção à lavagem de dinheiro a todos os operadores de ativos virtuais.
Atualmente, nenhum trader ou plataforma P2P de cripto está registrado na FCA. O país planeja ampliar o regime regulatório para o setor com janela de licenciamento a partir de setembro de 2026 e vigência plena em outubro de 2027.
No Brasil, o Banco Central publicou as Resoluções 519, 520 e 521 em novembro de 2025, criando o framework de autorização obrigatória para prestadores de serviços de ativos virtuais. O prazo para que operadores existentes solicitem autorização é outubro de 2026.
“São medidas que vão reduzir o espaço para golpes, fraudes, principalmente, para o uso desse mercado”, afirmou Gilneu Vivan, diretor do Banco Central, ao anunciar as normas. O Let’s Money detalhou o escopo das exigências do BC para prestadores de ativos virtuais à época da publicação das resoluções.
O que observar
A operação britânica evidencia que autoridades regulatórias estão usando bases legais de anti-lavagem para agir contra operadores não registrados antes da conclusão de um regime específico para criptoativos. Prestadores que operam sem autorização em mercados com marcos regulatórios em construção passam a enfrentar risco crescente de ação coordenada entre reguladores financeiros e forças de segurança.
A pergunta que fica é se o enforcement preventivo, antes mesmo do encerramento da janela de adequação, será replicado em outros mercados que também estão consolidando seus regimes de autorização.
No contexto brasileiro, vale acompanhar se os operadores sem registro ajustarão postura antes de outubro de 2026 ou aguardarão ação das autoridades para se mover. O modelo britânico sugere que a existência de base legal de anti-lavagem, combinada com vontade política de enforcement coordenado, é suficiente para agir antes do encerramento formal da janela de adequação.