A Payward, controladora da Kraken, anunciou a compra da Reap, plataforma de pagamentos com stablecoins sediada em Hong Kong, por até US$ 600 milhões em dinheiro e ações. É o segundo negócio da empresa acima de US$ 500 milhões em menos de 30 dias e adiciona emissão de cartões e infraestrutura de liquidação em stablecoins ao portfólio da exchange.
Aquisições recentes da Payward
| Empresa |
Valor |
Área |
Data |
| NinjaTrader |
US$ 1,5 bi |
Futuros de varejo |
Mar 2025 |
| Backed |
N/D |
Ações tokenizadas |
Dez 2025 |
| Bitnomial |
Até US$ 550 mi |
Derivativos (CFTC) |
Abr 2026 |
| Reap |
Até US$ 600 mi |
Pagamentos stablecoin |
Mai 2026 |
Aquisições da Payward desde 2025. Fonte: Banking Dive
Reap e a aposta em stablecoins B2B
Fundada em 2018 por Daren Guo, ex-responsável pela Stripe na Ásia-Pacífico, a Reap construiu uma API que conecta redes de cartão, sistemas bancários e blockchains em uma única interface para liquidar transações em stablecoins. A empresa processou US$ 3 bilhões em volume mensal em meados de 2025 e quase triplicou receita e volume ao longo do ano passado. Com a aquisição, os clientes da Payward poderão integrar emissão de cartões, pagamentos internacionais e serviços de tesouraria em stablecoins às funcionalidades já existentes, como negociação de cripto, custódia e derivativos.
Para a Reap, o acordo abre acesso a licenças da Payward nos EUA e na Europa, além de expansão conjunta para Oriente Médio, Norte da África e América Latina. A plataforma continuará operando de forma independente, com a mesma liderança e marca após a conclusão do negócio, prevista para o segundo semestre de 2026. “O próximo passo é conectar cartões e pagamentos em stablecoins a um conjunto completo de serviços financeiros nativos de criptomoedas para impulsionar a escalabilidade, o alcance regulatório e a distribuição para nossos clientes”, disse Daren Guo, CEO e cofundador da Reap, em comunicado. O movimento de redes de pagamento tradicionais também ampliando suporte a stablecoins indica convergência no setor.
A maratona de aquisições da Payward
A compra da Reap é a terceira maior transação da Payward e eleva para aproximadamente US$ 2,7 bilhões o total gasto em aquisições desde 2025, segundo a Ledger Insights. A lógica é montar uma plataforma financeira integrada a partir de uma exchange: futuros via NinjaTrader, derivativos CFTC via Bitnomial e agora pagamentos e emissão de cartão via Reap. Somam-se a isso ações tokenizadas e licenças regulatórias na União Europeia e no Reino Unido.
Em março de 2026, a Kraken obteve conta master direta no Federal Reserve, tornando-se a primeira exchange de cripto a conseguir o acesso. A Payward também protocolou confidencialmente um pedido de IPO junto à SEC. “O setor financeiro está caminhando em uma única direção. Mercados contínuos. Dinheiro programável. Execução autônoma. As stablecoins são a base de liquidação. Os agentes de IA são os novos participantes”, disse Arjun Sethi, co-CEO da Payward, em comunicado divulgado na quinta-feira.
O que observar
O modelo de construir infraestrutura de pagamentos sobre uma base de exchange tem apelo regulatório e de distribuição, mas o teste está na execução. A pergunta central é se a integração entre emissão de cartão, liquidação em stablecoin e custódia de ativos digitais entrega uma experiência coesa ou resulta em camadas técnicas difíceis de operar em escala. Provedores de infraestrutura de pagamentos B2B internacionais que consolidaram serviços em mercados emergentes enfrentaram gargalos exatamente nesse ponto: compliance local, conversão cambial e velocidade de liquidação em regimes regulatórios distintos.
Vale acompanhar como emissores de cartão corporativo e fintechs de câmbio B2B respondem à entrada de uma exchange de cripto nesse segmento. A expansão para MENA e América Latina depende de aprovações regulatórias que diferem significativamente entre si, tornando o cronograma de H2 2026 ambicioso. O IPO em andamento adiciona pressão por resultados visíveis antes da abertura de capital.
Fontes: Banking Dive • Ledger Insights • Let’s Money • Let’s Money