Mastercard expande o Start Path com uma nova trilha dedicada a pagamentos corporativos e anuncia seis startups para a primeira turma do segmento B2B, em setores que ainda dependem de processos manuais num mercado que movimenta cerca de US$ 100 trilhões por ano em transações entre empresas.
Start Path Corporate Solutions: primeira turma
| Startup |
Segmento |
| Masraff |
Gestão de despesas e compliance com IA |
| Simetrik |
Reconciliação de transações por automação sem código |
| MediConCen |
Processamento de sinistros de seguros com IA e blockchain |
| Fleevo |
Pagamentos e operações de frotas |
| Zatlas |
Pagamentos em viagens e hotelaria |
| Glass |
Compras e pagamentos governamentais |
Primeira turma do Start Path Corporate Solutions. Fonte: Finextra
Pagamentos B2B: um mercado de trilhões ainda fragmentado
Em frotas e logística, operadores gerenciam combustível, manutenção e recarga em plataformas separadas. Em viagens e hotelaria, a liquidação das transações ainda é majoritariamente manual. Em saúde e seguros, reembolsos dependem de solicitações que atrasam operações e consomem recursos. Nesses três segmentos, o pagamento ainda funciona como back-office isolado, não como capacidade integrada ao fluxo do negócio.
É nesse contexto que a Mastercard aposta na expansão do Start Path, programa global de aceleração de fintechs com mais de uma década de operação. A nova trilha conecta startups de alto potencial a ecossistemas corporativos onde suas soluções podem reduzir fricção e automatizar fluxos. “O futuro dos pagamentos corporativos não será construído por uma única organização. Ele será moldado por meio de parcerias que combinam a inovação de startups com escala global […]”, afirma a empresa em comunicado.
A primeira turma B2B e a conexão com o Brasil
Entre as seis selecionadas, a Simetrik tem presença direta no mercado brasileiro. A fintech colombiana, que levantou US$ 85 milhões em 2025, processa mais de 1 bilhão de registros diários em mais de 40 países e tem entre seus clientes Nubank, Itaú, PagBank e Getnet. Sua proposta, reconciliar milhões de transações por automação sem código, endereça um problema que bancos e fintechs de médio porte ainda resolvem com planilhas e processos manuais.
As demais cobrem verticais específicas: Masraff automatiza gestão de despesas e compliance em mercados diversificados; MediConCen aplica IA e blockchain ao processamento de sinistros de seguros; Fleevo unifica pagamentos e operações de frotas; Zatlas embute automação em ecossistemas de hotéis e OTAs; e Glass digitaliza compras e pagamentos de governos e instituições públicas. O anúncio se alinha ao movimento recente da empresa de ampliar presença em pagamentos com inteligência artificial, incluindo os executivos virtuais com IA para PMEs e a camada de confiança para agentes de IA, ambos anunciados em março.
O que observar
Programas de aceleração corporativa têm propósito declarado de fomentar inovação, mas o que determina seu impacto real é a conversão: quantas startups selecionadas chegam a parcerias comerciais ativas com clientes da rede da bandeira, e em que prazo. Vale acompanhar se a trilha corporativa se consolida como canal regular de seleção ou permanece como iniciativa pontual. O anúncio parte da própria empresa patrocinadora, o que significa que a divulgação dos critérios de seleção e dos resultados esperados ainda carece de validação independente.
A entrada de startups de reconciliação e automação financeira no ecossistema de uma bandeira global também sinaliza pressão sobre provedores tradicionais de software financeiro corporativo que hoje dominam esses fluxos. Se as soluções escalarem com distribuição da bandeira, o impacto sobre o custo operacional de fintechs e bancos que processam grandes volumes pode ser mensurável, especialmente em mercados com alta densidade de operações B2B como o brasileiro.
Fontes: Finextra • Fintech Global • Let’s Money • Let’s Money