A Meta investiu US$ 900 milhões na Cred, fintech indiana com sede em Bangalore, e contratou o fundador Kunal Shah para liderar o WhatsApp. O acordo dá à companhia americana cerca de 20% de participação minoritária e avalia a startup em US$ 4,5 bilhões. Pelo desenho informado pela Cred, a Meta não terá acesso a informações de clientes.
Shah deixa o cargo executivo na fintech, que diz processar mais de 40% dos pagamentos de fatura de cartão de crédito na Índia, com 17 milhões de membros mensais. Na Meta, ele assume o comando do app de mensagens, no lugar de Will Cathcart, que comandou o WhatsApp por cerca de sete anos e segue na companhia em uma frente de produtos de consumo com IA.
A troca no comando do WhatsApp
Cathcart viu a base de usuários do WhatsApp mais que dobrar no período, com a marca de 3 bilhões de usuários mensais ultrapassada em 2025. A movimentação coloca um fundador de fintech à frente do maior app de mensagens do mundo, num momento em que a Meta acelera o acoplamento entre conversa e pagamento.
“Kunal construiu a Cred em uma das companhias de tecnologia mais importantes da Índia, e ele traz o tipo de mentalidade de builder e perspectiva global que vão servi-lo bem para comandar o maior app de mensagens do mundo”, afirmou Mark Zuckerberg, CEO da Meta, em publicação sobre a contratação.
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Por que a Índia pesa nessa jogada
A Índia é o mercado de maior volume do WhatsApp e também onde a Meta vinha tentando ampliar a participação em pagamentos. Recentemente, Amazon e Meta contestam o duopólio de Google Pay e PhonePe no UPI, o trilho de pagamentos instantâneos indiano. A Cred opera por cima desse mesmo trilho, com uma proposta de fidelização em torno do uso saudável do cartão de crédito, e adiciona à equação licenças bancárias, de seguro e de gestão de patrimônio.
“Comecei a CRED em 2018 com a crença de que capacidade creditícia merece ser recompensada. Em menos de oito anos, essa crença se transformou em uma nova categoria”, disse Kunal Shah, em comunicado da fintech sobre sua saída.
O que observar
O movimento aponta para uma tendência regional: apps de mensagem virando camada financeira completa, com fintechs absorvidas para acelerar a integração. No Brasil, a categoria já tem precedentes com Pix por dentro de apps de troca de mensagem, mas a operação na Índia opera em escala global e amplia a aposta. As próximas referências práticas estão no ritmo de incorporação de novos serviços de pagamento e crédito dentro de mensageiros, na reação dos reguladores locais ao acoplamento entre big techs e fintechs e nos primeiros indicadores de receita gerada pela camada financeira embarcada em conversa. Vale acompanhar também movimentos similares no setor bancário tradicional, como o avanço de bancos brasileiros que trazem saldo e Pix ao WhatsApp via IA.