O Banco Central da Índia (RBI) concedeu licença de financeira não bancária (NBFC) à MobiKwik, habilitando a fintech a originar e subscrever empréstimos diretamente, sem depender de parceiros bancários. As ações da empresa subiram 14% após o anúncio, no mesmo dia em que o RBI formalizou o cancelamento da licença do Paytm Payments Bank.
MobiKwik em números
| Indicador |
Dado |
| Usuários |
186,6 milhões |
| Rede de comerciantes |
4,79 milhões |
| Alta das ações no anúncio |
+14% |
| Prazo de aprovação pelo RBI |
Menos de 4 meses |
Dados operacionais da MobiKwik. Fonte: Free Press Journal
De distribuidor a credor direto
A One MobiKwik Systems lança a MobiKwik Financial Services Private Limited como subsidiária integral para originar e subscrever crédito para consumidores e pequenos negócios, com foco em cidades do interior da Índia. O modelo anterior dependia de repasse de crédito por parceiros bancários; a licença NBFC elimina esse intermediário, com potencial de ampliar margens. As operações se iniciam após a emissão do Certificado de Registro pelo RBI, prevista para o fim de 2026.
“The NBFC application approval is a pivotal step in MobiKwik Group’s evolution into a scaled financial services platform”, disse Upasana Taku, diretora executiva, cofundadora e CFO da One MobiKwik Systems. Segundo a executiva, a aprovação em menos de quatro meses reflete a confiança regulatória na governança da empresa.
Semana de decisões opostas do RBI
O aval à MobiKwik ocorre três dias após o RBI cancelar a licença bancária do Paytm Payments Bank (PPBL), em 24 de abril. Segundo o regulador, “os negócios bancários do PPBL e o caráter geral de sua administração eram prejudiciais aos interesses dos depositantes e do público, e nenhum propósito útil ou interesse público seria atendido permitindo que o banco continuasse operando.”
O contraste na mesma semana sinaliza diferenciação regulatória ativa: a MobiKwik detém 18% das transações em carteiras digitais pré-pagas do país (dezembro de 2025), em segmento onde a PhonePe avança com seu IPO. O encerramento de serviços do neobanco Fi, em março deste ano, também compõe o quadro de seletividade crescente no mercado indiano.
O que observar
O teste real da licença não é a aprovação regulatória, mas a qualidade da carteira de crédito que fintechs de carteira digital conseguem construir ao migrar para originação direta. A questão central é se os modelos de risco, calibrados em dados transacionais de pagamentos, sustentam inadimplência controlada em crédito não assistido, especialmente em mercados de baixa renda.
Vale acompanhar também se o movimento indiano de diferenciação regulatória ativa, que aprova fintechs com boa governança enquanto cancela as com falhas acumuladas, serve de referência para reguladores de outros mercados emergentes.
Fontes: Finextra • Free Press Journal • Indian Startup News