A Open Banking Limited (OBL) somou 63,88 de 76 pontos possíveis contra 46 do Smart Data Group (SDG) em avaliação independente da KPMG encomendada pela FCA, posicionando a OBL para liderar o projeto do novo órgão de padrões de Open Banking no Reino Unido. O resultado é contestado: o painel avaliador incluía bancos do CMA9, proprietários e financiadores da própria OBL.
OBL vs SDG: avaliação KPMG para a Future Entity
| Proposta |
Pontuação |
Máximo |
| OBL (Open Banking Limited) |
63,88 |
76 |
| SDG (Smart Data Group) |
46,00 |
76 |
Resultado da avaliação KPMG/FCA para a Future Entity de Open Banking no Reino Unido. Fonte: Open Banking Expo
Da implementação à padronização
A OBL é a sucessora da entidade criada pelos grandes bancos britânicos para implementar o Open Banking no Reino Unido. Com o ecossistema estabelecido, a FCA busca uma estrutura liderada pela indústria para a próxima fase: definir padrões de APIs e ampliar o modelo antes da Estrutura Regulatória de Longo Prazo prevista para o final de 2026. Duas organizações concorreram: a própria OBL e o SDG, coalizão independente de stakeholders do setor.
Em fevereiro, a FCA contratou a KPMG como avaliadora independente. Um Painel da Indústria classificou as propostas em seis critérios: governança e estrutura ética, apoio do setor, capacidade técnica, viabilidade financeira, gestão de riscos e viabilidade operacional. O Open Banking britânico já gerou £8,3 bilhões em valor econômico, com potencial de £43 bilhões anuais em maturidade plena. O modelo britânico serviu de referência para ecossistemas como o Open Finance no Brasil, onde pesquisa recente aponta que apenas 37% dos brasileiros utilizam a funcionalidade, deixando ainda grande parte do potencial de redução de juros inexplorado.
O conflito que paira sobre o resultado
A OBL superou o SDG em todas as seis categorias. Henk Van Hulle, CEO da OBL, afirmou que o relatório “fornece uma conclusão clara de que a OBL é a organização mais adequada para facilitar o projeto da entidade futura liderado pelo setor”. O SDG, porém, questiona o processo: os bancos do CMA9, que financiam e controlam a OBL, integraram o painel avaliador. Em comunicado, o SDG destacou que sua independência em relação ao CMA9 “foi identificada como uma característica distintiva de sua proposta”.
A FCA ressaltou que o relatório tem como objetivo “apoiar as considerações do setor para os próximos passos” e que a recomendação não é juridicamente vinculante. Um segundo relatório, com considerações sobre a operacionalização da Future Entity, será divulgado em breve. O ecossistema regulatório britânico segue amadurecendo: a Revolut obteve recentemente licença bancária plena no Reino Unido após anos de mobilização regulatória.
O que observar
A questão central não é o placar, mas se o processo resistirá às contestações antes que a legislação de longo prazo do Tesouro britânico seja formalizada, prevista para o final de 2026. Se a controvérsia sobre conflito de interesse ganhar tração entre partes interessadas sem representação no painel, o processo pode ser reaberto, atrasando a constituição do órgão de padrões. O relatório de operacionalização, que a avaliadora independente publicará em breve, é o próximo ponto de verificação.
Vale acompanhar também o modelo de financiamento que emergirá. Órgãos de padrões financiados pelos incumbentes que regulam criam tensões estruturais conhecidas em ecossistemas de dados abertos. A pergunta de fundo: um órgão efetivamente independente consegue operar sem diversificar suas fontes de custeio além dos maiores participantes do setor?
Fontes: Finextra • Open Banking Expo • FCA